Como a ajuda humanitária à Venezuela virou uma bomba-relógio

Ajuda estrangeira é rechaçada pelo governo Maduro. Contudo, oposicionistas e voluntários se dirigem para a fronteira para receber os mantimentos

entrada de ajuda humanitária na Venezuela se transformou no principal foco do conflito entre o governo de Nicolás Maduro, a oposição liderada por Juan Guaidó e os países vizinhos, apoiados pelos Estados Unidos.

A tensão crescente já resultou no fechamento da fronteira com o Brasil nesta quinta-feira (21) e estremeceu as historicamente complicadas relações entre os venezuelanos e a Colômbia.

Este tenso capítulo da crise venezuelana começou com o pedido de Guaidó, autoproclamado presidente interino, para que os países que apoiam a saída de Maduro do poder enviassem ajuda humanitária ao país, que enfrenta não apenas uma crise política e social, mas também um terremoto econômico.

Nos primeiros dias de fevereiro, os Estados Unidos enviaram um carregamento de ajuda humanitária para a Venezuela. O presidente Nicolás Maduro, no entanto, se recusou a permitir a entrada dos mantimentos que ficaram retidos na fronteira com a Colômbia.

No final de semana, uma nova carga vinda dos EUA chegou à cidade colombiana de Cúcuta e, nesta quinta-feira (21), uma caravana de deputados, liderada por Guaidó, se dirigiu até a fronteira para liberar a entrada da ajuda humanitária.

Guaidó possui uma ordem de restrição e não pode sair do território venezuelano, então não se sabe como ele fará para receber a ajuda.

A forma como os mantimentos chegarão na Venezuela também é desconhecida. Guaidó apenas informou que será por ar e por terra. Porém a fronteira marítima com o Caribe já está fechada por ordem de Maduro desde o início da semana.

Nesta quinta-feira (21), o presidente também ordenou o fechamento da fronteira terrestre com o Brasil. E ainda avalia fechar a fronteira com a Colômbia nos próximos dias.

A imprensa venezuelana especula que a oposição possa usar rotas alternativas ou ilegais para transportar a ajuda humanitária para a Venezuela.

Caravana e voluntários

Além da caravana de políticos opositores, centenas de cidadãos também estão viajando para a região de fronteira para atuar como voluntários no transporte dos mantimentos enviados.

A extensão da crise é tão grande que até mesmo a população venezuelana está dividida. Parte deseja a entrada da ajuda humanitária, enquanto outros venezuelanos têm medo da chegada de militares estrangeiros no país.

Maduro admite a escala da crise na Venezuela, mas ainda assim alega que ajuda enviada pelos outros países é um “presente podre”.

O governo brasileiro, que reconhece a legitimidade de Guaidó, anunciou a criação de uma força-tarefa de ajuda humanitária para os venezuelanos, que funcionaria a partir da capital de Roraima, Boa Vista, e a cidade fronteiriça de Pacaraima.

Disputa de shows

A oposição liderada por Guaidó planeja transformar o recebimento da ajuda humanitária em um símbolo de sua força, transformando-a em um grande evento. Para isso, conta com a realização de um grande show na cidade de Cúcuta, no lado colombiano da fronteira. O Venezuela Live Aid está sendo organizado pelo milionário britânico Richard Branson, que pretende arrecadar US$ 100 milhões (cerca de R$ 376 milhões).

No dia do show em Cúcuta, os presidentes do Chile, Sebastián Piñera, e do Paraguai, Mario Abdo Benítez, estarão na cidade para entregar, junto com seu homólogo colombiano, Iván Duque, a ajuda humanitária para os venezuelanos.

Porém a ideia não agradou Maduro, que já afirmou que irá fazer de todo o possível para que o show não aconteça, além de anunciar a realização de seu próprio show, na Venezuela.

A organização do show oposicionista espera receber 250 mil espectadores. Artistas como Alejandro Sanz, Miguel Bosé, Luis Fonsi, Paulina Rubio, Maluma, Carlos Vives, Juanes e a banda mexicana Maná já foram confirmados no espetáculo.

Segundo a Associação Hoteleira e Turística da Colômbia (Cotelco) todos os principais hotéis da cidade de Cúcuta estão sem vagas.

Risco de conflitos

Nicolás Maduro alega que a entrada da ajuda humanitária no país pode favorecer uma “invasão estrangeira”.

A insegurança do presidente é tanta que ele reforçou o número de militares na fronteira com o Brasil e com a Colômbia.

A ajuda humanitária também está sendo transportada pelos Exércitos dos países que a ofereceram. Isso faz com que essa região de fronteira possa se transformar em um olho de furacão nos próximos dias.

O Exército venezuelano já está de prontidão na área da fronteira. O acúmulo de pessoas em função dos grandes shows aumenta ainda mais o perigo de que, em caso de confrontos, haja vítimas.

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Acesso em 18/08/2019 16:16.
Link: http://portalgilbertosilva.com.br/noticias/mundo/como-a-ajuda-humanitaria-a-venezuela-virou-uma-bomba-relogio/.