Ex-detento que cursa medicina no TO se prepara para o internato: ‘Estou ansioso’
Wallace William da Costa, de 47 anos, tenta transferir o internato para Minas Gerais para ficar perto da esposa e das filhas.
Wallace William da Costa, de 47 anos, iniciará em julho o internato do curso de medicina na Universidade Federal do Norte do Tocantins.
Aprovado em concurso para médico em Minas Gerais, o estudante planeja se especializar em saúde da família para atuar diretamente com a comunidade.
Preso por tráfico em 1997, ele concluiu os estudos na prisão, graduou-se em enfermagem e ingressou na faculdade de medicina durante a pandemia.
Morando longe da esposa e das 4 filhas, Wallace destaca que elas são sua maior conquista e a principal motivação para vencer os desafios.
Wallace William da Costa, de 44 anos, estuda medicina na UFNT. — Foto: Arquivo Pessoal/Wallace William
Wallace William da Costa, de 47 anos, se prepara para vivenciar a rotina de hospitais e unidades de saúde e o cuidado com pacientes. O estudante cursa o 8º período de Medicina na Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT), campus de Araguaína, e se prepara para iniciar o internato no mês de julho. Ele foi preso por tráfico de drogas, em 1997, e é exemplo de que recomeços são possíveis.
“Estou tentando uma mobilidade para fazer 50% do internato em Juiz de Fora, mas ainda sem respostas da universidade. Estou ansioso mas também esperançoso, espero poder conseguir fazer pelo menos um ano perto da minha família”, diz. Wallace é casado, e a esposa e quatro filhas moram em Minas Gerais. Desde que iniciou o curso na UFNT, ele mantém contato com a família apenas nos períodos de férias das aulas.
Agora no g1
O g1 questionou a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) sobre a tentativa de transferência do estudante, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem.
O ex-detento já estuda as possibilidades de áreas de especialização para seguir. “Sempre quis medicina da saúde da família, que é trabalhar na comunidade, em posto de saúde. Gostaria de criar vínculo e ser médico da família é o que me chama a atenção: essa parte do social de ajudar quem mais precisa”, explica.
Prisão, recomeço e estudos
O processo de ressocialização também foi marcado por preconceito e, por isso, Wallace buscou oportunidades de estudo em outras regiões. O desejo antigo de cursar medicina ganhou força durante a pandemia, foi quando tentou uma vaga e conseguiu passar na UFNT.
“Minha maior conquista é minha família, é por elas que eu prezo. É por elas que eu saio de tão longe pra estudar, por elas, e melhorar a vida delas. Tudo que faço, que passo, é por elas”, finaliza.
Ex-detento está próximo de concluir o curso em medicina — Foto: Arquivo pessoal/Divulgação
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