SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A Rússia adotou uma nova tática em sua guerra contra a Ucrânia, e pela primeira vez no conflito iniciado em 2022 atacou diretamente pontes vitais da capital Kiev. Três estruturas foram alvejadas nesta sexta-feira (2), num ataque que deixou ao menos um morto.
Duas das pontes tiveram de ser fechadas para o tráfego durante toda a manhã, gerando caos no trânsito da cidade. Há oito pontes principais sobre o rio Dnieper, que divide a capital. As vias foram reabertas no começo da tarde.
Seu lado a leste concentrava antes da guerra 30% dos 3 milhões de habitantes, mas apenas 18% dos empregos -os postos de trabalho principais estão a oeste, fazendo das pontes partes vitais da roda da economia local.
O prefeito da cidade, Vitali Klitschko, afirmou que a capital está “numa situação muito dramática”. “Não dá mais para fingir que nós podemos viver agora como em tempos de paz. O inimigo está despedaçando Kiev”, afirmou.
O Ministério da Defesa russo confirmou a nova diretiva, afirmando que as pontes servem para o trânsito de forças e equipamentos militares rumo à região do Donbass, no leste, onde fica a frente de batalha principal da guerra.
Também na quinta (1), o presidente russo, Vladimir Putin, havia dito que os ataques à infraestrutura civil na Ucrânia são uma retaliação pelas mesmas ações de Kiev contra a Rússia, uma campanha que levou a uma crise no abastecimento de combustível no país invasor.
A Ucrânia tem escalado o emprego de drones de longa distância, e na quinta afirmou ter feito o primeiro disparo em combate de um míssil balístico produzido no país, o FP-7. Não foram divulgados detalhes da ação. Nesta sexta aviões-robôs atingiram duas refinarias no sul russo.
De seu lado, pressionado pela crise de combustível doméstica, Putin tem apostado nesta entrada do outono europeu numa nova geração de drones a jato, mais rápidos e capazes do que os anteriores a hélice.
Para tentar conter a nova ameaça, que escapa mais facilmente das defesas aéreas usuais contra drones, Kiev fez um acordo com os governos da Polônia, Bélgica e Espanha para o fornecimento de mais munição de 20mm para as metralhadoras dos seus caças F-16, aviões mais capazes de interceptar os robôs a jato.
Segundo Kiev, ainda são necessários ao menos 300 mísseis de interceptação do sistema Patriot para trazer o mínimo de proteção à capital durante a temida campanha de inverno, que começa no fim de dezembro no Hemisfério Norte.
Há um temor público de que Putin esteja preparando um golpe fatal para o sistema energético ucraniano quando as temperaturas ficarem congelantes, visando derrubar o moral da população.
A ação pode ser pior do que no ano passado, quando o governo teve de espalhar tendas com aquecimento portátil para evitar que pessoas morressem de frio.
Segundo reportagem do americano New York Times citando supostos planos russos interceptados pelos ucranianos, há a possibilidade de um grande ataque com mais de mil mísseis e drones de forma a destruir toda a capacidade de geração e distribuição de eletricidade do país.
O plano, segundo o NYT, prevê uma onda para destruir subestações e linhas de energia em torno de grandes cidades, como Kiev, Lviv, Kharkiv e Odessa. Depois, o alvo seria usinas hidrelétricas e, por fim, a rede abastecida pela eletricidade das três usinas nucleares ainda em mãos ucranianas.
O próprio jornal ressalva não ter como validar a autenticidade dos planos, mas eles parecem condizer com os preparativos russos até aqui. Nesta semana, viralizaram imagens de redes de transmissão sendo alvejadas por drones a jato Gerânio-4.
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