Ele é um animal que representa as florestas preservadas. Não costuma ocorrer em áreas degradadas, sendo um bicho que precisa de florestas com mínimo equilíbrio ambiental. Sua dieta envolve insetos e outros invertebrados, que são associados a frutificação de espécies florestais e solo desses ambientes. Quem sustenta esses argumentos é Marco Gonçalves, gerente de Fauna do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), sobre a aparição do tamanduá-mirim (Tamandua tetradactyla) numa árvore no Parque Estadual do Desengano, em Campos dos Goytacazes.
A espécie foi registrada pelos guarda-parques, Aurenio Perrut e Ivan Mota, quando faziam, na quinta-feira (23/10), o manejo de uma trilha do Parque pertencente ao Instituto Estadual do Ambiente (Inea).
“A espécie sobe em árvores com destreza, devido às suas garras afiadas e a sua cauda que utiliza para se locomover e se firmar nos troncos”, diz Perrut.
“Com ocorrência na Mata Atlântica e outros biomas, o tamanduá-mirim é tanto arbóreo quanto terrestre, e alimenta-se de formigas e cupins”, acrescenta Mota.
O tamanduá-mirim (Tamandua tetradactyla) é originário da América do Sul, encontrado desde a Venezuela até o Brasil, em todos os biomas brasileiros e também em partes da América Central. O nome “tamanduá-mirim” vem do tupi “tamanduá” (devorador de formigas) e “mirim” (pequeno), usado para diferenciá-lo do tamanduá-bandeira.
“O animal exerce papel fundamental na natureza: ao se alimentar de insetos, ajuda a controlar suas populações, mantendo o equilíbrio da natureza”, informa Gonçalves.
O nome popular “tamanduá-mirim” significa “pequeno devorador de formigas”, o que descreve tanto seu tamanho quanto seus hábitos alimentares.
Além disso, ao utilizar suas garras afiadas para abrir formigueiros e cupinzeiros, o tamanduá-mirim ajuda a resolver e aerar o solo, o que facilita o ciclo de nutrientes, contribuindo para a saúde do meio ambiente.
Por ter um padrão de coloração da sua pelagem que lembra a um “colete” negro, também é conhecido como tamanduá-colete. O restante dos seus pelos têm uma cor que varia do amarelo ao marrom pardo. Dependendo da região geográfica, o colete do tamanduá-mirim pode variar do negro ao castanho ou até um amarelado pouco destacado do resto do pelo do animal, mas mesmo assim, são todos da mesma espécie.
Possui uma cauda preênsil (capaz de segurar) e com ela, conseguem segurar objetos, agarrar-se a galhos de árvores ou se deslocar através da vegetação. Os membros anteriores possuem uma musculatura bem desenvolvida, com quatro dedos, de onde vem seu nome científico tetradactyla (tetra = quatro; dáktylos = dedo), já os membros posteriores são menos desenvolvidos. Uma curiosidade do tamanduá-mirim é que ele não possui dentes e sua língua pode chegar a 40 cm de comprimento.
Sobre risco de extinção, são considerados como “pouco preocupantes” tanto na lista nacional do ICMBio quanto na lista da IUCN. Mas essa realidade não será a mesma com o avanço das queimadas nos biomas brasileiros.
Criado em 1970 (Decreto Lei Estadual nº 250/1970), o Parque do Desengano é a mais antiga unidade de conservação estadual do Rio de Janeiro. Com 21.365,82 hectares, a unidade de conservação abrange parte dos municípios de Campos dos Goytacazes, São Fidélis e Santa Maria Madalena, e é reconhecida internacionalmente como uma IBA (Important Bird and Biodiversity Area), ou seja, uma área prioritária para conservação da biodiversidade de aves, pela BirdLife International.
Considerado um mamífero solitário, essa espécie consegue se adaptar facilmente a vários habitats. Por isso, é possível avistá-lo na floresta amazônica, em manguezais e até andando pelo Cerrado em busca de alimentos como formiga, cupim, abelhas e mel. Possui hábitos escansoriais, ou seja, vive tanto em árvores quanto no chão e costuma descansar dentro de troncos ocos de árvores, tocas de tatus ou outras cavidades naturais.
Quando esta espécie se sente ameaçada, ela se equilibra nas patas traseiras e na cauda para parecer maior e mais ameaçadora. São pacíficos, mas um tamanduá- mirim ameaçado não hesita em se defender, seja com suas garras, seja emitindo um cheiro bem forte para afugentar um possível inimigo.
Com uma língua comprida e pegajosa, os tamanduás-mirins capturam facilmente os insetos que compõem a sua dieta. Dessa forma, tornam-se essenciais para o controle de insetos. As garras afiadas fazem dos tamanduá-mirins exímios escaladores de árvores e são ótimas para quebrar a estrutura dos cupinzeiros.


