O advogado e assistente de acusação Cristiano Medina da Rocha afirmou nesta quarta-feira, durante os debates finais do julgamento do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, e Monique Medeiros, que acredita na possibilidade de ressocialização de Monique, mas não do ex-vereador, a quem classificou como um “anjo do mal” e um “príncipe das trevas”.
Ao encerrar sua sustentação, Medina diferenciou a responsabilidade que atribui aos dois réus pela morte de Henry Borel.
— Tenho dó da Monique, mas ela foi omissa e tem que pagar por isso. Quando ela pagar, tenho certeza de que será ressocializada. O Jairo, não. Duvido que esse anjo do mal, esse príncipe das trevas, saia de dentro dele. Outras crianças podem voltar a ser vítimas dele — afirmou.
Durante sua exposição, o assistente de acusação sustentou que Monique teve oportunidades de interromper as agressões contra o filho, mas não agiu para protegê-lo. Em relação a Jairinho, reiterou a tese de que o ex-vereador mantinha um histórico de violência contra mulheres e crianças.
Mais cedo, Medina afirmou que Henry foi submetido a uma “sessão de tortura constante” antes de morrer e atribuiu a Jairinho a responsabilidade pelas agressões. O advogado também questionou movimentações registradas pelos celulares dos réus na madrugada da morte do menino e criticou a conduta do casal após o crime.
A fala ocorreu durante a fase de debates entre acusação e defesa, última etapa do julgamento antes da votação dos jurados, que decidirão o destino de Jairinho e Monique.
Movimentação de Jairinho e Monique na madrugada da morte do menino
O assistente de acusação Cristiano Medina da Rocha afirmou ainda que dados extraídos dos celulares dos réus indicam movimentações do casal na madrugada em que Henry Borel morreu.
O questionamento de Medina teve como base dados que contabilizam os passos dados por Jairinho e Monique dentro do apartamento nas horas que antecederam a ida de Henry ao hospital.
— Jairo deu 349 passos naquela madrugada. O que ele estava fazendo lá dentro? Treinando para uma maratona? Monique deu 132 passos — afirmou.
Ao abordar os laudos periciais, Medina sustentou que os elementos técnicos apontam que Henry já estava morto havia algum tempo quando recebeu atendimento médico.
— O menino tinha 34 graus quando foi atendido. A temperatura vai caindo de meio em meio grau nas primeiras três horas e um grau na hora seguinte. Se às 3h50 ele estava com 34 graus, já morto, o legista diz que ele morreu entre 23h30 e 3h30 — afirmou.
O advogado também voltou a associar Jairinho a episódios de violência contra mulheres e afirmou que Monique tinha conhecimento desse comportamento.
— Aquele cara era considerado o príncipe de Bangu. Muitas mulheres se aproximavam dele pela vida que ele oferecia. Mas o preço era caro demais. No começo, Monique não sabia. Depois passou a saber qual era o preço de ser a princesa de Bangu. Quando ele pulou o muro e a enforcou na frente do Henry, eles ainda nem tinham um relacionamento. Ela quis pagar esse preço. Monique não deu oportunidade para que a família salvasse o menino — afirmou.
Medina citou ainda relatos de agressões apresentados durante o julgamento para sustentar que havia sinais prévios de violência.
— Já tinha tido agressão contra ela, o Jairo dando joelhada nela. Será que não tinha como concluir que aquilo também era um ato de agressão contra o filho? Como se não bastasse, teve o episódio do abraço apertado — declarou.
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