A presença feminina no agro não é apenas simbólica. Mulheres estão à frente da administração de fazendas, conduzem equipes, acompanham o planejamento das safras, negociam contratos e representam o setor em espaços institucionais. O avanço é percebido tanto na produção quanto na articulação política e técnica.
No estado, dois grupos formados por mulheres do agronegócio ganharam destaque nacional em 2022 ao integrarem a lista da revista Forbes “50 Grupos de Mulheres do Agro Brasil”. O MAT – Mulheres do Agronegócio Tocantinense nasceu em 2017, em Araguaína, e reúne mais de 100 integrantes. Criado inicialmente para troca de experiências, o grupo também promove encontros técnicos, palestras e workshops. Já o AMA TO Brasil – Aliança das Mulheres do Agronegócio foi criado em 2019 pela produtora e advogada Inara Mota Rodrigues Machado e reúne cerca de 240 mulheres, majoritariamente do Tocantins e do Maranhão, com foco em networking, capacitação e fortalecimento institucional.
Para a presidente da Aprosoja Tocantins, Caroline Barcellos, o movimento é resultado de uma transformação gradual no campo. “A mulher sempre esteve presente no agro, mas muitas vezes nos bastidores. Hoje ela ocupa espaços de decisão, lidera entidades e conduz propriedades com visão estratégica. O protagonismo feminino no campo não é tendência, é realidade”, afirma.
A presidente da Aprosoja Tocantins, Caroline Barcellos, destaca o avanço da liderança feminina na gestão de propriedades e entidades representativas do agro. — Foto: Kiw Assessoria de Comunicação
Entre esses exemplos estão Flávia Germendorff, diretora financeira da Aprosoja, e Simone Sandri, que presidem sindicatos rurais e atuam diretamente no suporte aos produtores, oferecendo informações, benefícios e apoio às demandas da agropecuária. A presença feminina nesses espaços amplia a diversidade de perspectivas e fortalece a representatividade do setor produtivo.
Flávia Germendorff atua na direção financeira da Aprosoja e preside o sindicato rural de Natividade, fortalecendo a representatividade feminina no setor produtivo. — Foto: Arquivo Pessoal
“Assumir e reestruturar um Sindicato foi e é um desafio, mas isso não me paralisou. Pelo contrário, me motivou a mostrar que estávamos ali para contribuir e revitalizar a entidade. A presença feminina tem ampliado a forma como as decisões são tomadas, com um olhar mais atento às pessoas, aos detalhes e à forma de conduzir as ações. Não é uma disputa entre homem e mulher, é um complemento, é união. O agro precisa dos dois para evoluir”, afirmou Flávia Germendorff.
Para Simone Sandri, as mulheres têm fortalecido pautas ligadas à sucessão familiar, capacitação técnica, gestão, sustentabilidade e responsabilidade social dentro dos sindicatos. Segundo ela, a presença feminina também ampliou o debate sobre inovação, governança e a comunicação do agro com a sociedade.
“A mulher no agro não está apenas na produção. Ela participa da gestão, da administração, da tomada de decisão e da construção do futuro do setor. Temos contribuído para fortalecer temas como sucessão familiar, qualificação técnica e responsabilidade social, além de ampliar o diálogo do agro com a sociedade. A presença feminina também ajuda a humanizar as relações institucionais, aproximando o sindicato dos produtores, das famílias e da comunidade”, destacou.
Simone Sandri preside o sindicato rural de Pedro Afonso e reforça pautas como sucessão familiar, gestão e inovação no agro tocantinense. — Foto: Arquivo Pessoal
Na esfera institucional, Ana Carolina Flôres, advogada e pecuarista ligada à Associação para o Desenvolvimento Sustentável do Tocantins, ADSTO, ressalta a importância da participação feminina em discussões técnicas como regularização fundiária e plano de manejo.
“A presença feminina em discussões técnicas é, antes de tudo, uma construção de futuro. Quando falamos de plano de manejo e segurança jurídica, estamos falando de previsibilidade, proteção ao produtor e desenvolvimento sustentável. A mulher que ocupa esses espaços não está ali apenas como representação, mas como construtora de soluções. Temos uma visão ampla e entendemos o impacto de cada decisão técnica no campo, na gestão da propriedade e na família. Essa sensibilidade estratégica faz diferença”, afirmou.
Ana Carolina Flôres atua em discussões técnicas sobre regularização fundiária e plano de manejo, ampliando a presença feminina em pautas estratégicas do agro. — Foto: Arquivo Pessoal
Outro exemplo é o de Juliane Costa, engenheira florestal e gerente Florestal a frente da Sinobras Florestal: a maior reflorestadora do estado do Tocantins. A presença feminina em segmentos ligados à sustentabilidade e recuperação ambiental demonstra que o agro moderno envolve produção, conservação e inovação, ampliando ainda mais os espaços de atuação das mulheres.
“Hoje vemos mulheres atuando como engenheiras florestais, agrônomas, técnicas de campo, operadoras de máquinas, pesquisadoras e gestoras. O que antes era um ambiente predominantemente masculino está se tornando um espaço mais plural, técnico e colaborativo. Mais do que ocupar espaços, as mulheres estão performando com excelência técnica e estratégica. Eu sou fruto dessa transformação. Lidero equipes em um setor técnico e estratégico, e isso mostra que competência não tem gênero”, afirmou Juliane Costa.
Juliane Costa, engenheira florestal e gerente florestal da Sinobras Florestal, representa a liderança feminina em áreas técnicas e sustentáveis do setor. — Foto: Arquivo Pessoal
Chá das Mulheres da Aprosoja Tocantins
Durante o mês da mulher, iniciativas como o Chá das Mulheres da Aprosoja Tocantins fortalecem essa rede de lideranças, promovendo troca de experiências, conexão e debate sobre os desafios do setor. A terceira edição do evento já tem data marcada e reunirá associadas para uma programação voltada à informação, networking e integração entre produtoras e lideranças do agro. O encontro está previsto para o dia 14 de março e deve reforçar o papel feminino na construção de soluções e no fortalecimento institucional do setor.
Produtoras e lideranças participam do Chá das Mulheres da Aprosoja Tocantins, evento que fortalece conexões e amplia o protagonismo feminino no agro. — Foto: Aprosoja Tocantins
Mais do que ocupar espaço, as mulheres no agro tocantinense assumem papel ativo na gestão, na representação institucional e na construção de soluções para o desenvolvimento do estado.
A terceira edição do Chá das Mulheres reúne associadas para debates, networking e troca de experiências no mês dedicado às mulheres. — Foto: Aprosoja Tocantins


