Condenada a 39 anos de prisão pela morte dos pais, ela fala em “abismo” familiar
Suzane von Richthofen no documentário em que relembra assassinato dos pais — Foto: Reprodução Mais de 20 anos após o assassinato dos pais, Manfred e Marísia von Richthofen, Suzane von Richthofen revisita o caso em um documentário inédito de quase duas horas, no qual apresenta sua versão sobre a história. Cumprindo atualmente pena em regime aberto, ela relembra o crime pelo qual foi condenada a 39 anos de prisão.
Na entrevista que concede ao filme, Suzane, hoje com 42 anos, descreve a infância como marcada por ausência de afeto e distanciamento emocional dentro de casa: “Não tinha demonstração de amor, nem deles pra gente, nem da gente pra eles. Minha vida era brincar com o meu irmão”, afirma, citando o irmão, Andreas von Richthofen. Sobre os pais, diz: “Meu pai era zero afeto. Minha mãe ainda tinha um pouco. Volta e meia ela pegava a gente no colo. Mas era muito de vez em quando”.
Suzane também relata conflitos frequentes entre os pais e afirma ter presenciado uma cena de violência: “Eu vi meu pai enforcando a minha mãe contra a parede. Foi horrível”. Segundo ela, o ambiente familiar deteriorado contribuiu para o afastamento entre pais e filhos. “Eu e meu irmão fomos ficando invisíveis dentro de casa”. Em outro momento da entrevista, resumiu: “Minha família não era família Doriana. Longe disso. Meus pais construíram um abismo entre nós”. Ela afirma que esse vazio acabou sendo ocupado por Daniel Cravinhos, com quem se relacionava na época. Segundo as investigações, o homicídio foi planejado pela filha do casal e executado pelos irmãos Daniel e Cristian Cravinhos, também condenados.
A relação com Daniel, segundo o relato dela, intensificou os conflitos dentro de casa. Suzane conta que levava uma vida dupla e escondia dos pais encontros e viagens. “Eu saía de casa dizendo que ia pro karatê, mas ia pra casa do Daniel”, disse. O ápice, segundo ela, ocorreu quando os pais viajaram por 30 dias, período que descreveu como “um sonho que eu não queria que acabasse”: “Foi um mês de liberdade total. Um sonho que eu não queria que acabasse. Era o dia inteiro de sexo, drogas e rock ’n’ roll”. A partir daí, afirma, a ideia do crime foi sendo construída gradualmente: “Nós não falávamos em matar meus pais. A gente dizia que seria muito bom se eles não existissem”.
Ao relembrar o assassinato de Manfred e Marísia von Richthofen, em 31 de outubro de 2002, Suzane admite participação, embora negue envolvimento direto na execução. “Eu aceitei. Eu os levei pra dentro da minha casa”, declarou, concluindo: “A culpa é minha. Claro que é minha”. Sobre o momento do crime, disse ter permanecido no andar de baixo: “Eu fiquei no sofá, com a mão no ouvido para não escutar nada”, reconhecendo, porém, que tinha consciência do que estava acontecendo: “Eu sabia”.
Mais recente Próxima Crianças mortas por atropelamento em Diadema serão veladas na comunidade, antes de translado dos corpos





