O ex-presidente da França, Nicolas Sarkozy, estaria enfrentando dias de medo e paranoia na prisão de segurança máxima La Santé, em Paris. Segundo o jornal Le Point, o político de 70 anos se recusa a comer qualquer comida servida pelos funcionários do presídio por temer ser envenenado. A equipe próxima do ex-líder francês estaria cada vez mais preocupada com o clima hostil entre os detentos. No mês passado, três presos foram detidos após ameaçarem matar Sarkozy dentro da penitenciária.
Vídeo com ameaças circulou nas redes
De acordo com informações do tabloide britânico The Sun, as autoridades agiram depois que um vídeo com ameaças macabras contra o ex-presidente viralizou nas redes sociais.
A gravação mostrava um detento gritando frases como: “A gente sabe de tudo, Sarko… Vamos vingar Kadafi! Devolve os bilhões de dólares!”.
Desde então, Sarkozy teria passado a evitar completamente a comida servida em sua cela, com medo de que algo fosse adulterado.
Fontes ouvidas pelo Le Point afirmam que o político acredita que outros presos possam cuspir ou colocar veneno em sua comida. Por isso, passou a comprar tudo na cantina da prisão e a fazer suas próprias refeições.
— Ele não sabe nem ferver um ovo! E, além disso, por princípio, se recusa a cozinhar — contou uma fonte.
Segundo o jornal francês, o ex-presidente adotou um cardápio, no mínimo, curioso. Entre os itens preferidos, estão atum em óleo e iogurtes, que teriam virado praticamente sua dieta exclusiva.
Vida simples atrás das grades
Condenado por “conspiração criminosa”, Sarkozy levou alguns pertences pessoais para a cela.
Ele limpa o próprio espaço com uma pequena vassoura e guarda uma bolsa esportiva com objetos pessoais.
O ex-presidente está preso desde 21 de outubro e sua chegada causou grande agitação entre os funcionários da penitenciária.
Segurança reforçada
Por ordem do ministro do Interior, Laurent Nuñez, dois agentes do Serviço de Proteção VIP (SDLP) foram designados para ficar na cela ao lado da de Sarkozy 24 horas por dia. Para evitar o contato com outros detentos, o ex-presidente ocupa um espaço na área de isolamento.
Uma foto tirada em 12 de abril de 2019 mostra uma cela na prisão de Santé, em Paris, renovada após quatro anos de obras — Foto: STEPHANE DE SAKUTIN / AFP Segundo Nuñez, as medidas de segurança se explicam pelo “status e pelas ameaças que pesam sobre ele (Sarkozy)”.
É a primeira vez que um ex-presidente francês vai para a prisão desde o marechal Philippe Pétain, colaborador do regime nazista durante a Segunda Guerra Mundial.
A presença de seguranças exclusivos, no entanto, tem causado queixas entre os funcionários comuns da prisão.
Além disso, mesmo com o reforço na proteção, o clima no presídio segue tenso. Presos estariam tentando incomodar Sarkozy à noite, gritando e batendo nas paredes próximas à sua cela de nove metros quadrados, que tem vista para o pátio da penitenciária.
Os advogados de Sarkozy solicitaram liberdade condicional, que a Justiça pode validar nas próximas semanas.
Condenação ligada ao caso Kadafi
O ex-presidente foi condenado a cinco anos de prisão por acusações vinculadas ao financiamento ilegal, com dinheiro lavado do ditador líbio Muammar Kadafi, de sua campanha eleitoral de 2007.
Sarkozy foi absolvido das demais acusações, mas agora vive o que a imprensa francesa tem chamado de seu verdadeiro “inferno carcerário”.


