Nesse período, trocou farpas com o vice Laurez Moreira (PSD), foi alvo de mais uma operação da Polícia Federal, teve seus aliados exonerados do primeiro escalão do Estado, além de contratos e dívidas expostos pelo governador que estava em exercício.
A decisão do ministro Nunes Marques foi publicada nesta sexta-feira (5), tem efeito imediato e ainda deverá passar pela Segunda Turma do STF. Na época da operação, a primeira-dama Karynne Sotero também foi afastada do cargo, mas o retorno dela não é mencionado na liminar.
A assessoria da primeira-dama informou que não tem um posicionamento sobre o caso, já que “ela não foi objeto da medida”.
Em nota, a defesa do governador Wanderlei Barbosa disse que “recebe com serenidade a decisão emanada do Supremo Tribunal Federal proferida na data de hoje, a qual viabiliza o seu retorno ao cargo para o qual foi legitimamente eleito”.
Nas investigações da Fames-19 foram identificados pagamentos de mais de R$ 97 milhões em contratos para fornecimento de cestas básicas e frangos congelados. O prejuízo estimado pela Polícia Federal é de mais de R$ 73 milhões.
Nesse período, Wanderlei era responsável pela Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social (Setas), órgão que recebia os recursos que iriam ajudar a população durante a pandemia. Segundo a Polícia Federal, Wanderlei Barbosa teria mantido um esquema de desvios por meio de contratações ilícitas.
O afastamento do governador e da primeira-dama foi determinado pelo ministro Mauro Campbell e depois referendado pela Corte Especial do STJ.
Vice assume e exonera aliados
Antes disso, Laurez assumiu o governo em 2023. Logo depois, Wanderlei propôs uma emenda à Constituição Estadual para permanecer no cargo mesmo durante viagens. O texto foi aprovado em 2024.
Troca de farpas entre Wanderlei e Laurez
“Derrotei pessoas que não aceitaram e se juntaram ao vice-governador Laurez. Durante todo esse tempo eu sofri muito, por isso houve o meu afastamento do Laurez, porque eu sabia o que ele estava fazendo. Eu tinha informações diárias dele em Brasília, tentando o tempo inteiro me afastar do mandato”, comentou Wanderlei.
Wanderlei Barbosa divulga vídeo em que afirma ser perseguido
Laurez respondeu ao governador afastado dizendo que eram assuntos sobre os quais não tinha o que falar, mas que as afirmações se tratavam de desrespeito. “É questão da Justiça, e é um problema que tem que resolver com a Justiça, não comigo, né? Quem sou eu para tramar contra alguém ou fazer alguma coisa. Ele tem que responder pelos atos que praticou”.
O governador que estava em exercício também comentou sobre as viagens feitas por Wanderlei ao suspender um contrato com uma empresa de táxi aéreo. Laurez afirmou que entende que um governador deve viajar para trazer recursos para o Estado, “mas não para sair com seus amigos para fazer viagens internacionais”.
Dívidas na saúde e suspensão de contrato de táxi aéreo
Além da suspensão da locação da aeronave, Laurez também barrou a viagem de uma coletiva do Palácio Araguaia aos Estados Unidos, que aconteceria naquela semana.
Na época, a assessoria de Wanderlei Barbosa informou que a Secretaria da Saúde tem um orçamento anual de mais de R$ 3,2 bilhões e que “é normal que fiquem restos a pagar de um ano para o outro”. Disse ainda que não é possível pagar as contas dentro do mesmo ano e os valores ficam como “restos a pagar”. E destacou que não foram apresentadas provas do “suposto rombo financeiro”.
Já sobre a contratação da aeronave, a defesa de Wanderlei informou que o contrato celebrado com a empresa de táxi aéreo está estritamente dentro da legalidade e que “lamenta o uso político, indevido e sensacionalista do contrato por parte do vice-governador”.
Exoneração de contratos da educação
A Seduc informou que a medida buscava corrigir distorções, pois havia servidores excedentes em determinados setores e a extinção dos contratos resultará em uma economia mensal estimada em cerca de R$ 2,7 milhões.
Wanderlei alvo em mais uma operação da PF
A Operação Nêmesis identificou que alguns investigados teriam se prevalecido de seus cargos e utilizado veículos oficiais para retirar e transportar documentos e materiais de interesse da investigação.
Chácara de governador entre Goiás e Tocantins
Na decisão que autorizou a Operação Nêmesis, foi apontado que Wanderlei Barbosa teria uma chácara no distrito de Campo Alegre, em Paranã. De acordo com a investigação, o imóvel está registrado no nome de Mauro Henrique da Silva Xavier, mas o “proprietário formal” seria o governador afastado. Durante buscas no local, a polícia encontrou a casa decorada com diversas fotos e objetos pessoais de Wanderlei e da primeira-dama Karynne Sotero.
O g1 questionou a assessoria do governador afastado e da primeira-dama, mas não houve retorno até a última atualização desta reportagem. A defesa de Mauro Henrique não foi localizada.
A região virou alvo de uma disputa entre os governos de Goiás e do Tocantins, depois que o governo do Tocantins instalou um portal na região com as frases “Bem-vindo ao Tocantins” e “O turismo começa aqui”. A Procuradoria Geral do Estado de Goiás (PGE-GO) denunciou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que uma área de 12,9 mil hectares (129 km²), na divisa entre Paranã e o município de Cavalcante (GO), pertenceria a Goiás.
Venda das ações da Energisa suspensa
Em julho de 2025, Wanderlei Barbosa havia sancionado a lei que autorizava a venda de participação do Estado nas ações da Energisa. Na época, foi informado que os recursos resultantes da venda de percentuais das ações serão “destinados à execução de obras estruturantes e infraestrutura hospitalar e urbana”.
Depois que o governador foi afastado, Laurez anunciou, durante coletiva de imprensa no dia 24 de novembro, que não daria continuidade à venda da participação do estado na Energisa. Ele informou que buscava preservar o patrimônio público e manter a presença do Tocantins no quadro societário da concessionária.


