[O Congresso] representa, de fato, o inferno na minha vida. Apesar de não querer estigmatizar aquele espaço, nem Brasília, ali tenho que enfrentar muitos desafios. O Congresso é composto por gente horrorosa, que quer dificultar a nossa existência no mundo e não só no meu trabalho.Erika Hilton (PSOL), deputada federal
A Amanda [Paschoal], que trabalhou comigo nesses anos, foi minha aposta para o eleitor de São Paulo ter dentro do campo progressista uma mulher travesti para levar adiante na Câmara Municipal uma agenda deixada de lado, infelizmente, até por parte da esquerda, que questiona as pautas identitárias. Assim, vamos diminuindo essa ausência dentro da política. É um avanço pequeno diante da conjuntura do Brasil, mas nenhuma revolução em busca de direitos foi dada em uma largada.
Fortalecimento dos candidatos conservadores
Erika ressaltou a importância de ir além das pautas identitárias ao dialogar com setores conservadores, defendendo que as agendas de grupos sub-representados precisam incorporar também um debate de classe.
É preciso valorizar as agendas dessas sub-representações, mas não só como pautas exclusivas de identidade e, sim, com um debate de classe atrelado, além de avançar na formatação do nosso diálogo para reencantar as pessoas para a política.
Por exemplo, o contato por meio da estética ou outras formas de linguagem, como o que faço, dá uma sensação de pertencimento e crença no futuro. Estamos em uma disputa profundamente desleal graças a um orçamento favorecido, apoio de mídias hegemônicas e fundamentalismo religioso, mas permanecer na mesmice não tem nos trazido bons resultados.


