Os compositores Nelson Cavaquinho (1911-1986) e Guilherme de Brito (1922-2006) pediram em um samba que homenagens fossem prestadas a eles enquanto ainda estivessem vivos. Samba lançado na primeira metade da década de 1970 por Nelson Gonçalves, Quando eu me chamar saudade traz o recado:
“Me dê as flores em vida/ Para aliviar meus ais/ Depois que eu me chamar saudade/ Não preciso de vaidade/ Quero preces e nada mais”.
“Flores em vida” receberá Ciça, do Grêmio Recreativo Escola de Samba Unidos do Viradouro, agremiação de Niterói na qual é mestre de bateria e pela qual vai desfilar no Sambódromo, no dia 16 de fevereiro, como o grande homenageado do enredo.
A razão da mesura ao mestre são os 70 anos que Ciça ─ Moacyr da Silva Pinto no registro civil – completará em julho. Ciça é o mais longevo mestre de bateria em atividade.
As baterias das escolas de samba são chamadas de “coração rítmico” da agremiação e de “alma” do desfile, porque conduzem os passistas e mobilizam as arquibancadas. São mestres como Ciça que fazem os arranjos das baterias, ensinam e ensaiam os percussionistas e lideram seus músicos para empolgarem a massa de 120 mil espectadores presentes no Sambódromo. Um ofício para poucos, pois não são muitos os que sabem lidar com o coração e com a alma.


