“A Dignitas é uma sociedade sem fins lucrativos que defende, educa e apoia a melhoria dos cuidados e as tomadas de decisões autônomas no fim da vida, uma organização cujo principal objetivo é implementar a liberdade de escolha e autodeterminação em questões de vida digna e morte em todo o mundo.
Não é um hospital, uma clínica, um consultório médico ou algo assim. Não há médicos empregados na Dignitas. A configuração que eu encontrei foi: mesas, cadeiras, telefones, arquivos e pessoas trabalhando —assim como qualquer escritório em qualquer lugar do mundo. Não havia nada mórbido, nem mau tempo.
O suicídio assistido é apenas uma das obras da Dignitas. Mas a maior —e o mais importante deles — é a informação e a educação sobre a qualidade de vida, a escolha e a morte digna (…). Eu ouvi algumas vezes que eles acham que a discussão sobre liberdade de escolha e autodeterminação em questões de vida e morte digna socialmente mais relevante do que a discussão sobre suicídio assistido.
Vi, na prática, quão burocrático é para um estrangeiro ter acesso ao suicídio assistido na Dignitas. (…) É necessário passar por um longo processo de envio e análise de documentos (todos oficialmente traduzidos para inglês, alemão, francês ou italiano) e, em uma etapa posterior ao procedimento de avaliação, duas consultas com um médico suíço (que não tem ligação com Dignitas), que deve certificar a gravidade da doença, bem como o discernimento do paciente.
Ao contrário do que ouvi falar de muitas pessoas, Dignitas não é uma “máquina da morte”, mas uma instituição que defende o direito à autodeterminação e escolha na vida e uma morte digna, dentro da lei do país em que se baseia (Suíça) e todo o procedimento é feito de acordo com critérios legais. (…) E, não, não vi ninguém morrer. Mas eu vi pessoas que lutam dentro dos limites legais para garantir a autonomia de fim de vida dos pacientes até o último momento”.
*Com informações de reportagem publicada em 03/07/2024


