A PF aponta esses e outros elementos a justificar o indiciamento de Bolsonaro por associação criminosa, lavagem de dinheiro e peculato. A PGR tem 15 dias para oferecer denúncia ao STF, pedir novas diligências ou recomendar o arquivamento. Segundo o inquérito, o orador que ameaçou o STF na tal conferência usou a grana amealhada, ao passar nos cobres bens que não lhe pertenciam, para financiar a sua permanência nos EUA. Os acusados negam tudo e, pois, devem ter uma boa explicação para as lambanças. Na seara do crime comum, a história dos diamantes e a adulteração do registro de vacinas são as coisas mais, digamos, leves… Há as investigações sobre as articulações para um golpe de Estado, em inquéritos que ainda não estão concluídos.
O BURACO SEM FUNDO
A reunião da tal CPAC, a dita “conferência conservadora”, liderada por Eduardo Bolsonaro, que ocorreu em Balneário Camboriú no sábado e domingo passados, evidencia o que a extrema-direita tem planejado para nós. Ops! Eu escrevi “extrema-direita”? Preciso parar de pôr rótulos nesses patriotas. Não é porque Guilherme Derrite, secretário de Segurança Pública de São Paulo, exibe um cadáver num telão, chamando-o de “vagabundo”, para exemplificar a eficácia de seu trabalho, sob aplausos entusiasmados, que se vai apelar a esta “pecha”. Caramba! Seriam apenas “pessoas” com uma visão de mundo diferente da nossa e que resolveram aplicar a “Pedagogia do Presunto”, em consonância com o desejo da população, que quer mais justiça. E também é justiça o que querem os franceses que votam no neofascista “Reunião Nacional”. Aqui, esse anseio toma a forma de mortos em penca; lá, de perseguição a imigrantes.
À parte Bolsonaro, a grande estrela da patuscada foi Javier Milei, sendo reverenciado por outro “centrista”, Tarcísio de Freitas, o mesmo que declarou que 2026 já começou, enquanto dispensava mesuras a um chefe de Estado que fez uma espécie de entrada clandestina no Brasil. Não é porque o governador de São Paulo manda às favas o protocolo de relação entre dois países, incensando um prosélito que faz profissão de fé na intolerância, que se vai falar de extrema-direita. Não, coleguinhas! Seria só uma visão alternativa das Instituições. Seriam pessoas com uma leitura muito particular de mundo. Lembram-se de Bolsonaro? Uma de suas explicações para as minutas do golpe, que articulavam estado de defesa e estado de sítio, é o fato de que os dois instrumentos, afinal, estão previstos na Constituição. Se estão, como poderia se golpe? Que essas estultices circulem nas redes, vá lá. Que tenham saltado o cordão sanitário para frequentar redações, bem, aí estamos diante de um grave contágio.
O MOMENTO PORNÔ
A voragem da estupidez tem até seus momentos de apelo à pornografia. Circula nas redes um vídeo em que Bolsonaro presentei Milei com a “Medalha dos Is”: Imorrível, Imbrochável e Incomível. Coube a Eduardo “explicar” a distinção, acompanhado atentamente por Karina Milei, a irmã e assessora do presidente argentino. Ela jamais o deixa solto. Parece ser a sua Acompanhante Terapêutica. Ela só descola do cara quando ele está lendo suas bobagens, como um autômato.
O presidente que se negou a ir à Cúpula do Mercosul teve de ouvir de Eduardo, em espanhol, que Bolsonaro é “imorrível porque foi esfaqueado e está vivo”; que é “imbrochável porque nunca brocha com as mulheres, sempre vai à cama…” E o deputado faz o gesto com o punho em riste, não sem pedir desculpas a Karina, que diz: “Não! É perfeito!” E aí chegou a hora do “incomível”. O Zero Três explicou que “Incomível significa que não há a possibilidade de ser…” E Eduardo simula discretamente a exposição do próprio traseiro. E segue: “Nenhum outro homem vai te comer; no Brasil se diz comer”.
Assistam ao vídeo. Até Milei fica constrangido. Ri amarelo, não diz palavra, e Karina toma a iniciativa de ficar com a medalha. Esse a que das redes chamam “Dudu Bananinha” achou que ainda não estava bom e arrematou: “Heterossexual, saúde muito boa, imorrível, imbrochável, e não há a possibilidade de mudar de lado..” Antes, ele informa que Viktor Orbán e Donald Trump já receberam tão notável distinção. Enquanto seu filho fala, Bolsonaro se limita a dar aquela sua risada característica, meio abobada. Depois do constrangimento, Milei encarnou de novo a personagem e lascou: “Vila la libertad, carajo!”


