José Roberto e as duas filhas foram indiciados pela morte de Deise Carmem, no último dia 6. Ele foi indiciado por atuar na eliminação de provas do crime e por tentar atrapalhar as investigações. José Roberto vai responder em liberdade. As filhas Déborah de Oliveira Ribeiro, de 26 anos, e Roberta de Oliveira Ribeiro, de 32 anos, foram indiciadas pela morte e pela ocultação do corpo. Elas seguem presas.
Em nota, a defesa de Déborah, Roberta e José Roberto afirmou que ainda não teve acesso a todas as provas da Polícia Civil do Estado do Tocantins (PCTO). Segundo os advogados, a falta de informações sobre o caso impede uma manifestação definitiva no momento, mas sustentam que não existem provas que liguem José Roberto ao caso de Deise Carmen e que o indiciamento das filhas é apressado.
Os advogados disseram que há falhas na investigação e que valores de uma indenização da vítima foram transferidos para contas de pessoas fora do núcleo familiar. Para os defensores, isso enfraquece a tese da polícia (veja nota completa abaixo).
Segundo o delegado do caso, João Paulo Sousa Ribeiro, o marido teria apagado dados digitais e escondido a caminhonete usada pelas filhas para transportar o corpo da mãe.
Após concluir o inquérito, a polícia avaliou que não há provas de que José Roberto tenha participado do assassinato ou da ocultação do corpo. Como ele não responde por feminicídio, a Justiça não converteu sua prisão temporária em preventiva, o que permitiu a soltura.
“A investigação foi concluída com o indiciamento das filhas pelo feminicídio. Ele não foi indiciado por esse crime. Por isso, não havia motivo para converter a prisão dele, que era temporária, em preventiva”, informou o delegado.
Polícia prende marido e filhas suspeitos de matar Deise Carmem de Oliveira — Foto: Alessandro Ferreira/Divulgação SSP-TO
Família tinha conflitos por dinheiro
Deise Carmem era dona de uma fábrica de rodos que era a principal fonte de renda da família. Conforme o delegado João Paulo, as filhas, apesar de exercerem outras atividades, dependiam financeiramente da mãe.
“As filhas queriam ter um padrão de vida, não de luxo, nada disso. Mas dependiam financeiramente. E a vítima era um empecilho para isso. Um dos conflitos maiores ultimamente foi o pai ter dado, inclusive, um cartão para uma das filhas gastar, e a mãe não concordava com isso.”
Segundo a investigação, a vítima era vista pelas filhas como um “embaraço”. Com a morte, elas poderiam, supostamente, ter controle sobre a empresa.
“Então as filhas viam a mãe como um embaraço na vida delas. A partir do momento que a mãe faltasse, elas iam ter total controle porque o pai, além de ser, entre aspas, “bom” para elas, é uma pessoa assim que não tem muita instrução, ele não ia tentar fazer esse controle, ele não ia controlar as despesas, a questão financeira. E isso ia passar para elas, elas iam ter total controle”, explicou o delegado.
A suspeita da polícia é de que o crime foi planejado e executado pelas filhas. A investigação apontou que elas compraram um celular no nome da mãe e, após matarem a vítima, usaram o aparelho para enviar mensagens aos parentes, fingindo que Deise tinha ido embora por conta própria. A estratégia serviu para atrasar as buscas e enganar a polícia.
O marido, José Roberto Ribeiro, foi indiciado por ter atuado na eliminação de registros relevantes após o crime e tentado atrapalhar as investigações.
Dinâmica do crime
O inquérito foi conduzido pela 94ª Delegacia de Polícia de Peixe, com apoio da 8ª Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado (DEIC) de Gurupi.
O caso foi encaminhado para Justiça e será analisado pelo Ministério Público Estadual (MPTO), que definirá se apresenta a denúncia criminal.
Íntegra da nota da defesa
O caso em análise é revestido de elevada complexidade, sendo certo que a defesa vem atuando de forma diligente na sua apuração. Todavia, até o presente momento, não teve acesso integral ao conjunto probatório produzido pela polícia judiciária, circunstância que, por si só, inviabiliza qualquer conclusão precipitada e compromete o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa.
No que concerne ao Sr. José Roberto, é inequívoco que inexiste qualquer elemento minimamente idôneo que o vincule aos fatos (Sra. Deise Carme).
No tocante às investigadas das filhas Débora e Roberta, a defesa sustenta que o indiciamento se mostra prematuro e lastreado em uma investigação ainda marcada por relevantes lacunas.
Dentre elas, destaca-se a imprescindibilidade de apuração detalhada acerca dos valores provenientes de indenização recebida pela Sra. Deise Carmem, os quais foram pulverizados em diversas contas sem qualquer vínculo com o esposo ou com as filhas, fato que fragiliza, de maneira significativa, a linha investigativa adotada.
Diante desse cenário, a defesa se resguarda no direito de se manifestar de forma mais abrangente e conclusiva tão logo tenha acesso integral a todo o acervo probatório, atualmente sob a guarda da Polícia Civil do Estado do Tocantins.
Deise Carmem de Oliveira Ribeiro foi encontrada morta em um rio em Peixe — Foto: Arte g1





