Nas fileiras do Grupo de Operações com Cães (GOC), que pertence ao Batalhão de Polícia de Choque (BPCHOQUE) da Polícia Militar do Tocantins (PMTO), o rigor do treinamento e a precisão ganharam uma nova finalidade: trazer mais alegria e benefícios terapêuticos a quem precisa.
A cinoterapia utiliza o vínculo entre humanos e animais para potencializar o tratamento de diversas condições de saúde. No caso da Cinoteraia, longe de ser um mero visitante, o cão atua como um verdadeiro “co-terapeuta”. Neste projeto, as pessoas têm a oportunidade de melhorar a cognição, receber auxilio e melhorar na interação social.
Participar da cinoterapia auxilia na superação de barreiras cognitivas e emocionais. É o auxílio que muitos precisam e encontram na terapia, só que com o apoio ali dos cães. O contato com o cão não apenas auxilia no tratamento do Transtorno do Espectro Autista (TEA), mas devolve o sorriso e a esperança a quem mais precisa.
GOC e a comunidade
O Grupo de Operações com Cães (GOC) da Polícia Militar do Tocantins (PMTO) é um grupo especializado focado no emprego tático de cães treinados para segurança pública, sendo integrado ao Batalhão de Polícia de Choque (BPCHOQUE).
O GOC realiza patrulhamento, detecção de drogas/explosivos, captura de foragidos e controle de distúrbios, atuando em três grandes áreas, que é a detecção de entorpecentes; a repressão do narcotráfico; em busca e captura/salvamento, que é para buscar pessoas perdidas e foragidas da lei em áreas de mata; na atividade rústica, e na área social.
Na área social, o GOC desenvolve projetos de interação direta com a comunidade, utilizando cães parceiros em sessões de Cinoterapia, como por exemplo. Para garantir a eficácia do trabalho, a equipe busca animais de raças com aptidão natural para o cuidado, como Golden e Labrador. Essa parceria com os moradores locais é fundamental, pois utiliza cães da própria comunidade que possuem o perfil dócil necessário para as atividades terapêuticas.
A comunidade participa ativamente do projeto, porque os cães fornecidos são realmente criados na comunidade, mantido na comunidade, para estar sempre mais acostumado com a interação com as pessoas de maneira geral.
Funciona assim: a Polícia Militar do Tocantins seleciona os cães e seus donos autorizam as participações no projeto de Cinoterapia. Antes das atividades do projeto, os donos dos cães deixam os seus animais com a equipe do GOC, que fazem exames de averiguação, dão banho, tosam, realizam adestramento para que cada animalzinho esteja preparado para participar da cinoterapia. Após os trabalhos de cinoterapia, os cães são devolvidos aos seus donos.
Um dos lugares onde acontece a Cinoterapia é o CETEA (Centro Especializado em Transtorno do Espectro Autista), que foi entregue à população tocantinense pelo Governo do Estado em outubro de 2025. Por meio da Secretaria de Estado da Saúde (SES/TO), o CETEA é administrado pelo Instituto Nacional de Desenvolvimento Social e Humano (INDSH) .
GOC e o prazer de trabalhar na cinoterapia
A eficiência do GOC da Polícia Militar do Tocantins é um pilar essencial em operações táticas de alta complexidade. Um exemplo recente ocorreu em fevereiro de 2026, na zona rural de Dueré, onde uma ação integrada do Comando de Policiamento Especializado (CPE), por meio do Batalhão de Polícia de Choque (BPCHOQUE), através do GOC resultou na prisão de um homem de 43 anos por tráfico internacional de drogas e porte ilegal de arma de fogo. A precisão do cão farejador K9 Alfa, especialista em detecção, foi determinante para localizar, no interior de uma aeronave Cessna 210, uma arma calibre .380, munições e uma porção significativa de substância entorpecente.
Essas apreensões reforçam o compromisso da PMTO com a segurança pública e demonstram o impacto direto do trabalho especializado na proteção da sociedade. Para os policiais envolvidos, o sucesso de missões como esta é extremamente gratificante, pois reflete o propósito fundamental da corporação: servir e proteger com excelência. Atuar na Polícia Militar do Tocantins torna-se, assim, uma fonte de orgulho para cada integrante do grupo, que vê na união entre técnica e dedicação o caminho para garantir a tranquilidade de todos os cidadãos tocantinenses.
No caso do Subtenente Raimundo Pires da Silva, que é o subcomandante do grupo de operações com cães GOC, é gratificante servir a comunidade, quer seja em grandes Operações, quer seja em trabalhos sociais. “É uma grande gratificação a questão de poder enfrentar o crime, mas indescritível que nós policiais sentimos na questão social, na cinoterapia. A gente leva ali também paz e tranquilidade a quem precisa. A gente vê como as crianças estão agindo, como ficam alegres e também até o feedback ali dos monitores, a expectativa deles quando sabem que nós vamos fazer a visita. E de alguma forma, isso é tão gratificante,” relata o Subtenente Pires.
Cinoterapia como ferramenta de inclusão
O papel da Polícia Militar do Tocantins é a preservação da ordem pública e o policiamento ostensivo (fardado), atuando na prevenção e repressão imediata a crimes. E quando a corporação disponibiliza o seu efetivo para participar de um projeto como o da Cinoterapia, mostra que a instituição se preocupa também com o social da população Tocantinense. É cuidado, afeto, e evolução em cada encontro na cinoterapia, que as pessoas que participam passam a compreender que a Polícia Militar é parceira.
A ação geralmente tem duração aproximada de duas horas, com atendimentos individualizados aos assistidos, respeitando as particularidades, limites e necessidades de cada criança.
Durante a atividade, os cães Bia e Marley, que são selecionados da comunidade, interagiram de forma harmoniosa e segura com os assistidos que se mostraram receptivos e abertos às propostas desenvolvidas pela equipe. As intervenções buscaram estimular aspectos como vínculo, socialização, coordenação motora, atenção e regulação emocional, sempre em ambiente controlado e supervisionado.
Com o projeto realizado pela Polícia Militar, os cães Bia e Marley, trazem essa alegria, auxiliam no estímulo, na interação, fortalecem os vínculos e colaboram no desenvolvimento dos reabilitados.
A Samara Belém Menezes, de 26 anos, tem uma filha, Geovanna Beatriz Tavares de Menezes, de 4 anos, que participa da Cinoterapia no CETEA (Centro Especializado em Transtorno do Espectro Autista). Para Samara, é muito importante ter sua filha que tem TEA (Transtorno do Espectro Autista), participando da Cinoterapia. “Minha filha no começo ficou meio tímida, mas logo foi se acostumando e gostando bastante.”
Samara ainda nos conta que o papel da Polícia Militar do Tocantins com a Cinoterapia é demonstração de aproximação com a sociedade. “Gostei muito da parte em que os policiais militares se comunicam com a gente. Isso demonstra bastante afeto e importância com o projeto. Fiquei muito feliz,” nos conta.
As atividades de Cinoterapia do GOC são conduzidas por uma equipe técnica composta pelos subcomandante do GOC, o Subtenente PM Raimundo Pires da Silva, pelo subtenente PM Seminho da Costa Borges; subtenente PM Edson de Souza Camargo e a soldado PM Rayssa Rossana Reinaldo Leão. Todos trabalham com empenho para elevar a qualidade e a eficácia do projeto.
Para o subcomandante do GOC, o Subtenente Raimundo Pires da Silva, “poder estar ali, lidar com o animal e saber que é uma ferramenta útil para trazer tanto segurança como tranquilidade, é uma sensação indescritível. Participar dessas sessões de cinoterapia, me dá muita emoção. Fico muito feliz em cooperar com esse projeto,” declarou o Subtenente Pires.
A mãe do Emanuel Viana Coqueiro, de 7 anos, Glaucia Viana Coqueiro, se diz muito grata pelo que a Equipe do GOC faz durante as sessões. Ela também é grata também pela equipe do CETEA, porque ela diz que seu filho mostrou um significativo desenvolvimento nas suas emoções e cognições.
Ainda para Glaucia, o que todos os envolvidos fazem durante a Cinoterapia é essencial para o bom desenvolvimento do seu filho. “O acompanhamento com essa terapia tem feito muita diferença no desenvolvimento do meu filho. Eu percebo nele mais interesse, mais conexão, mais calma. Ele cria vínculo, aprende a esperar, a tocar, a observar. Coisas que muitas vezes parecem pequenas, mas que são gigantes dentro do desenvolvimento de uma criança com TEA,” relatou.
Para Glaucia, os contatos com os cães estimulam emoções que são essenciais. “O contato com o animal impulsiona no afeto, reduz a ansiedade e traz uma sensação de segurança. É um momento terapêutico, mas também é leve, é prazeroso,” declara Glaucia.
Missão de cuidar de quem precisa
O projeto de cinoterapia do GOC prova que a missão da Polícia Militar do Tocantins vai muito além do combate ao crime; ela reside, fundamentalmente, no cuidado com as pessoas. Ao transformar cães da comunidade em agentes de cura, a corporação constrói pontes com a população. Para crianças como Geovanna e Emanuel, a farda deixa de ser um símbolo de autoridade rigorosa para se tornar sinônimo de proteção e carinho. A Polícia Militar encontra uma nova forma de demonstrar a segurança pública, isso por meio da Cinoterapia, que é uma ferramenta de inclusão, de evolução e de amor.
Essa iniciativa reafirma que a segurança pública se faz com presença e empatia. Ao investir em ações que priorizam o bem-estar social, a PMTO não apenas auxilia no desenvolvimento terapêutico de crianças com TEA, mas também humaniza a figura do policial perante a comunidade. É um ciclo de confiança onde todos ganham: a família recebe apoio especializado, o policial renova seu propósito de servir e a sociedade colhe os frutos de uma integração baseada na solidariedade. Afinal, onde a técnica encontra o toque da sensibilidade, nasce uma nova esperança para o futuro das famílias tocantinenses.
Revisão Textual: Luana Barros


