Empresa de biocombustíveis, controlada pela Cosan e pla Shell, já conta com 47% de adesão dos credores ao plano. Objetivo é renegociar dívidas de R$ 65 bilhões
Um caminhão da Shell se prepara para abastecer no centro de distribuição da Raízen SA em São Paulo — Foto: Victor Moriyama/Bloomberg A Raízen protocolou pedido de recuperação extrajudicial na noite desta terça-feira (dia 10). Trata-se da maior empresa de biocombustíveis do país. De acordo com comunicado da empresa, controlada pela Cosan e pela Shell, a recuperação extrajudicial foi estruturada em consenso entre seus credores para renegociação de dívidas de aproximadamente R$ 65,1 bilhões.
“A recuperação extrajudicial foi consensualmente estruturada entre o Grupo Raízen e seus principais credores financeiros quirografários (sem garantias), signatários do plano com o objetivo de assegurar um ambiente jurídico estável, protegido e adequado para a negociação e implementação da reestruturação das dívidas financeiras”, explicou a empresa na nota.
O pedido de recuperação extrajudicial da Raízen acontece um dia depois do Grupo Pão de Açúcar (GPA) entrar com o mesmo recurso para renegociar dívidas de R$ 4,5 bilhões.
A Raízen informou que já conta com a adesão ao acordo de detentores de 47% das dívidas, percentual suficiente para o ajuizamento do acordo. Segundo a empresa, esse percentual de adesão demonstra apoio “relevante aos esforços para viabilizar a reestruturação das obrigações financeiras do grupo”.
Noventa dias
Com o pedido, a Raízen terá um prazo de 90 dias para obter a adesão dos demais credores, assegurando que 100% dos créditos sejam incluídos nos novos termos e condições de pagamento a serem definidos.
A Raízen informou ainda que conforme divulgado no início deste mês, a reestruturação financenira da companhia envolve também a capitalização pelos acionistas. A Shell vai injetar R$ 3,5 bilhões na empresa e a Aguassanta Investimentos, holdinga financeira do empresário Rubens Ometto, colocará mais R$ 500 milhões. Ometto é o controlador da Cosan, mas a empresa já informou que não tem recursos para acompanhar a capitalização na mesma proporção que a Shell.
O plano de reetruturação, diz a Raízen, inclui também a conversão de parte das dívidas em participação acionária na companhia, em percentual que ainda será definido, a substituição de obrigações por novas dívidas e reorganização societária. Também está prevista venda de ativos da Raízen.
A Companhia esclarece que a recuperação extrajudicial está limitada às dívidas financeniras com credores, não abragendo as dívidas e obrigações do grupo com seus clientes, fornecedores, revendedores e outros parceiros de negócios. Assim, diz o comunicado, as operações da Raízen continuam normalmente.
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