Uma operação deflagrada nesta quinta-feira mira uma quadrilha que produzia e vendia armas e acessórios — principalmente carregadores — fabricados em impressoras 3D, equipamentos capazes de criar peças camada por camada com plástico ou resina. Esse tipo de armamento, conhecido como “arma fantasma”, pode ser montado sem número de série e, por isso, é difícil de rastrear pelas autoridades. Apesar de muitas vezes terem partes impressas em material plástico, essas armas podem disparar munição real e, segundo investigadores, ter letalidade semelhante à de modelos convencionais.
Embora a tecnologia ainda apresente limitações, especialistas apontam que esses armamentos podem ter poder de fogo comparável ao de armas tradicionais, especialmente quando combinam componentes impressos com peças metálicas.
— Apesar de o tempo de durabilidade dessas armas ainda não ser conhecido, elas têm a mesma letalidade de uma arma convencional — afirma o delegado Tarcisio Lobato Kaltbach, da 1ª Delegacia de Polícia de Novo Hamburgo.
Na prática, o que muda em relação a armas convencionais é o processo de fabricação. Em vez de serem produzidas integralmente por fabricantes autorizados, algumas peças podem ser impressas a partir de arquivos digitais que circulam na internet. Esses projetos funcionam como manuais técnicos e permitem que partes da estrutura do armamento, como carcaças ou acessórios, sejam produzidas em impressoras 3D domésticas.
— O principal desafio é que é quase impossível de elas serem rastreadas por não terem número de série — diz o pesquisador Roberto Uchôa, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Mesmo assim, muitas vezes apenas parte da arma é impressa. Componentes mais críticos, geralmente metálicos e responsáveis pelo disparo, costumam ser obtidos separadamente ou reaproveitados de outras armas.
— Criminosos que antes contrabandeavam um fuzil inteiro agora usam o equipamento para produzir peças mais básicas e importam apenas as partes de mais difícil fabricação — explica Uchôa.
A circulação de projetos e manuais técnicos na internet é apontada como um dos fatores que facilitam a disseminação desse tipo de armamento. Os arquivos digitais podem ser compartilhados em redes sociais, fóruns ou plataformas on-line e trazem instruções detalhadas de montagem.
Segundo especialistas, embora organizações criminosas ainda prefiram armas desviadas do mercado legal ou provenientes do tráfico internacional, a impressão em 3D amplia as possibilidades de produção de peças e montagem de armamentos fora de qualquer sistema tradicional de controle.
— O ato ideológico é um perigo real na utilização dessas armas — diz Uchôa.
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