Agora, sua permanência, se ocorrer, será uma piada de mau gosto. O problema é que o seu partido pode obrigar Lula a contá-la repetidamente. Para demonstrar força, para proteger os seus, para desgastar o próprio governo.
Especialista em cavalos, não em comunicações, Juscelino Filho foi nomeado jóquei da pasta a fim de garantir que o União Brasil viesse para a base do governo Lula. Mesmo assim, o partido foi proporcionalmente menos fiel em votações do que o PP e o Republicanos, que só depois ganharam direito a CEP próprio na Esplanada dos Ministérios.
Ironicamente, o presidente vai ficando com todo o ônus, mas com poucos bônus dessa aliança. Na derrubada do veto de Lula à lei que proíbe as “saidinhas”, os partidos com ministério deram 173 votos contra o governo e 123 a favor. No Senado, o União Brasil entregou seis votos contra Lula e nenhum a favor. Na Câmara, 54 contra e apenas um a favor – ironicamente o da ex-ministra do Turismo Daniela Carneiro, que foi trocada por Lula pelo correligionário Celso Sabino por pressão do União Brasil.
O partido, formado pela fusão do PSL e do DEM, é complexo, tem suas peculiaridades regionais. É compreensível que nomes como Kim Kataguiri (SP) votem contra o governo, mas esse número foi acachapante, mesmo se considerar que o assunto é sensível e é ano eleitoral. Até porque o governo teve sim seus votos favoráveis (na Câmara, foram 126 votos a 314; no Senado, 11 a 52).
Lula deu ministérios, bancos e orçamentos para partidos do centrão em troca de uma parte dos votos de sua bancada porque não tem maioria no Congresso. Vem tendo votos em assuntos com os quais os deputados e senadores já concordavam previamente, principalmente na área econômica. Temas caros ao governo, relacionados a direitos e proteções sociais e ambientais, esquece.
Reportagem da Folha de S.Paulo, de novembro do ano passado, mostrou que Juscelino estabeleceu uma relação criminosa com o dono de uma empreiteira investigada sob suspeita de desvios em contratos da Codevasp, estatal controlada pelo centrão, quando ocupava o cargo de deputado federal no governo Bolsonaro. Em documento enviado ao STF, a PF afirma que o grupo do ministro foi responsável por “suposto desvio ou apropriação e uso indevido de, no mínimo, R$ 835,8 mil”. Uns dirão que é pouco, mas a cavalo dado não se olha os dentes.


