Ouvidoria
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13/08/2026
Entre a fé, as promessas e a tradição que atravessa gerações, milhares de romeiros chegam todos os anos ao povoado do Senhor do Bonfim, em Natividade, no sudeste do Tocantins. O local, a cerca de 24 quilômetros da sede do município, abriga uma das mais tradicionais manifestações religiosas do Estado, cuja origem remonta a 1750.
Foi nesse cenário de forte significado religioso e cultural que a campanha itinerante “Sua Fala tem Voz”, promovida pelo Ministério Público do Tocantins (MPTO), por meio de sua Ouvidoria, realizou mais uma ação de aproximação com a sociedade. A equipe esteve no povoado durante a Romaria do Senhor do Bonfim, com orientações aos fiéis sobre os canais de atendimento da instituição e sobre as situações que podem ser levadas ao Ministério Público.
A iniciativa alcançou os romeiros durante as celebrações religiosas e também nas áreas de comércio e circulação de pessoas. A proposta é ampliar o conhecimento da população sobre o papel do Ministério Público e estimular o exercício da cidadania, especialmente quando direitos são desrespeitados.
A ação contou com a participação da ouvidora do MPTO, procuradora de Justiça Vera Nilva Álvares Rocha Lira, que acompanhou as atividades e destacou a importância de levar a iniciativa a espaços onde há grande concentração de pessoas.
“Quando assumi a Ouvidoria, há menos de três meses, senti que nós deveríamos fazer uma divulgação mais extensa das funções do Ministério Público junto à sociedade. Por isso, criamos esse projeto de Ouvidoria itinerante. O objetivo é ir onde há grande aglomeração de pessoas no nosso Estado e estarmos mais próximos de quem precisa dos serviços da nossa instituição”, explicou.
Segundo a ouvidora, a escolha do Bonfim levou em consideração a dimensão religiosa e cultural da festa, que reúne milhares de pessoas todos os anos. “Viemos aqui para divulgar o trabalho do MPTO e esclarecer à população o que o Ministério Público pode fazer para auxiliar os cidadãos quando seus direitos são violados”, afirmou.
A procuradora de Justiça Vera Nilva também ressaltou a importância de informar a população sobre a possibilidade de comunicar ao Ministério Público situações relacionadas a crimes e violações de direitos, como violência contra mulheres, crianças e adolescentes, além de questões ambientais e outras demandas que estejam dentro das atribuições institucionais.
Entre os romeiros que receberam as orientações estava a professora Dirani Ribeiro de Oliveira Carvalho, que participa da Romaria do Senhor do Bonfim há mais de 40 anos. Para ela, a presença da Ouvidoria no local facilita o acesso da população a informações que podem fazer diferença diante de uma situação de violação de direitos.
“Então, aprovei essa iniciativa porque, quando a gente precisa, já está aqui o início para a gente saber onde ir e buscar ajuda”, relatou segurando nas mãos o informativo distribuído pela equipe com os canais de atendimento do MPTO. Ela também chamou atenção para as dificuldades enfrentadas pela população que vive no povoado de Bonfim e destacou a importância de saber como buscar ajuda.
Para o padre Leomar Sousa da Silva, reitor do Santuário Diocesano do Senhor do Bonfim, a presença do Ministério Público durante uma celebração que reúne multidões contribui para aproximar a instituição dos cidadãos e esclarecer suas atribuições.
“Primeiramente, o Ministério Público tem uma função institucional de defender a lei, defender o cidadão e a cidadã. Aqui é lugar das multidões. Eu acho importante o Ministério Público estar divulgando mais as suas atuações, informando ao cidadão e à cidadã os seus direitos, o que pode e o que não pode”, destacou. O religioso também ressaltou que muitas pessoas ainda desconhecem as atribuições dos órgãos que integram o sistema de Justiça.
Informação e cidadania
O romeiro Marcos Alessandro, pecuarista de Aliança do Tocantins, que fez o trajeto de cerca de 200km a pé até o povoado, aprovou a iniciativa e afirmou que a divulgação ajuda a população a conhecer direitos e deveres. “Vi que é necessário essa ação, porque muitas pessoas não sabem de algumas leis. Às vezes, fazem as coisas sem saber, por falta de conhecimento. Tendo divulgação, tendo conhecimento, pode deixar de fazer algo errado”, afirmou.
O assessor-técnico da Ouvidoria, Moisés Ribeiro Maia Neto, explicou que a proposta da campanha é justamente romper a distância entre a instituição e a população.
“A Ouvidoria é a principal porta de comunicação com a sociedade. Por muito tempo, a gente, primordialmente, atuou dentro do escritório, da sala, recebendo as demandas. Essa visão de estar onde o cidadão mais precisa enriquece o nosso trabalho”, afirmou.
Terceira ação da campanha
A passagem pelo Bonfim é a terceira ação da campanha “Sua Fala tem Voz”, que tem como proposta levar a Ouvidoria a locais com grande fluxo de pessoas, como praias, feiras, escolas, eventos e espaços comunitários.
De acordo com a ouvidora Vera Nilva, as primeiras ações já produziram resultados concretos. “Já tivemos o feedback da população onde passamos, que levou ao nosso conhecimento, por meio dos canais da Ouvidoria, delitos como devastação de florestas e questões relacionadas ao meio ambiente”, disse.
A campanha terá continuidade em outras regiões do Tocantins ao longo do ano.
Fé que atravessa gerações
A presença da Ouvidoria no Bonfim também dialoga com a própria história do lugar. De acordo com a tradição, em 1750 um vaqueiro encontrou uma pequena imagem de Jesus Crucificado na região. Após levar a imagem para Natividade, ela teria desaparecido e reaparecido no mesmo local onde havia sido encontrada. O episódio foi interpretado pelos moradores como um sinal divino, e uma pequena capela foi construída no local, dando origem ao centro da devoção que permanece até hoje.
A tradição transformou o povoado em destino de peregrinação para milhares de fiéis. Muitos romeiros percorrem longas distâncias, inclusive a pé, para cumprir promessas e agradecer graças atribuídas ao Senhor do Bonfim. A Diocese de Porto Nacional considera a festa a maior e mais tradicional manifestação religiosa do Tocantins.
Essa identidade também faz parte da cultura musical tocantinense. O cantor e compositor Dorivã eternizou a tradição na canção Romeiro do Bonfim, composição que homenageia a manifestação religiosa e cultural do Estado.
É nesse encontro entre fé, tradição e cidadania que a campanha “Sua Fala tem Voz” chega ao Bonfim: para lembrar que, assim como o romeiro encontra no santuário um lugar de acolhimento para sua fé, o cidadão também pode encontrar na Ouvidoria do Ministério Público um canal para fazer sua voz ser ouvida.
Canais de atendimento da Ouvidoria do MPTO
A população pode procurar a Ouvidoria do MPTO para registrar denúncias, reclamações, críticas, sugestões, solicitações, pedidos de informação e elogios, entre outras manifestações relacionadas às atribuições do Ministério Público. O órgão disponibiliza atendimento por diferentes canais.
Disque 127 – ligação gratuita
Telefones: (63) 3216-7575 e (63) 3216-7598
WhatsApp: (63) 99100-2720
E-mail: ouvidoria@mpto.mp.br
Site: mpto.mp.br/ouvidoria
Texto: Lidiane Moreira/Dicom MPTO
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