“Não se justifica e nem se explica a ideia de falar de um segundo turno, em um país onde Edmundo Gonzalez venceu com mais de 30 pontos percentuais de vantagem”, destacou. Segundo ele, o que ocorreu na Venezuela não se assemelha ao cenário da eleição brasileira de 2022, quando Luiz Inácio Lula da Silva superou Jair Bolsonaro por uma pequena margem.
“Esses 30 pontos de vantagem não contabilizam o fato de que 4 milhões de venezuelanos não conseguiram votar. Caso eles estivessem ido às urnas, a diferença seria ainda maior”, justificou.
“Propor uma nova eleição é virar as costas ao princípio da soberania popular”, disse Ledezma, que vive em Madri. “Seria privilegiar os caprichos de um ditador”, insistiu.
Nesta semana, as conclusões preliminares dos observadores da ONU indicaram que o processo eleitoral venezuelano foi marcado por irregularidades e que a falta de transparência é “sem precedentes” na história recente das democracias.
Como forma de desbloquear o impasse, o assessor especial da presidência brasileira, Celso Amorim, sugeriu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a ideia da convocação de uma nova eleição. Isso seria acompanhado por um processo de retirada de sanções que, por sua vez, permitiria que Maduro estivesse disposto a receber uma quantidade significativa de observadores internacionais.
Oficialmente, o governo brasileiro insiste que a posição do país não mudou: Lula quer que Maduro publique as atas de cada uma das sessões da eleição. Mas fontes admitiram que o vazamento da ideia de Amorim servia para testar a reação dos principais atores na Venezuela e mesmo dos parceiros internacionais.


