A Prefeitura de Araguaína, por meio da Secretaria Municipal da Saúde, iniciou nesta segunda-feira, 14, uma capacitação voltada aos profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS) para a transição da insulina NPH para os análogos de insulina, com foco na Glargina. A programação segue nesta terça-feira, 15, no auditório do UNITPAC, reunindo médicos, enfermeiros e nutricionistas que atuam na rede municipal.
Ao todo, 168 profissionais serão capacitados nos dois dias, sendo 93 médicos, 71 enfermeiros e quatro nutricionistas. A iniciativa prepara as equipes para identificar os pacientes elegíveis, realizar a prescrição adequada e acompanhar de forma segura a mudança terapêutica.
Araguaína é a primeira cidade do Tocantins a receber a insulina Glargina dentro dessa estratégia de transição, ampliando as possibilidades de tratamento para pacientes que se enquadram nos critérios estabelecidos.
NPH e Glargina: entenda o que muda no tratamento
A insulina NPH é uma insulina de ação intermediária, utilizada há anos no tratamento do diabetes. Já a insulina Glargina é um análogo de insulina de ação prolongada, desenvolvido para manter a glicose mais estável por mais tempo ao longo do dia.
A principal diferença está no tempo e na forma como cada uma age no organismo. A NPH pode apresentar maior variação em sua ação e, em alguns casos, precisa ser aplicada mais de uma vez ao dia. A Glargina tem uma ação mais prolongada, o que pode facilitar o controle da glicemia e diminuir o risco de episódios de hipoglicemia em alguns pacientes.
Qualificação para uma nova etapa no tratamento
A capacitação aborda os critérios para a transição da insulina NPH para a Glargina, além de orientações sobre prescrição, segurança, manejo e acompanhamento dos pacientes na Atenção Primária.
A Atenção Primária à Saúde possui papel fundamental no cuidado das pessoas com Diabetes Mellitus, principalmente por acompanhar os pacientes de forma contínua. Esse trabalho envolve educação em saúde, estratificação de riscos, acompanhamento clínico, tratamento adequado e monitoramento, contribuindo para prevenir complicações e reduzir a necessidade de atendimentos e internações evitáveis.
A utilização adequada dos análogos de insulina pode contribuir para um controle mais estável da glicemia e reduzir o risco de episódios de hipoglicemia em determinados pacientes, especialmente quando a indicação e o acompanhamento são realizados de acordo com os critérios clínicos.
Primeiros pacientes terão critérios específicos
Segundo a médica Bruna Bringel, responsável pela capacitação, a mudança ocorre dentro de uma estratégia do Sistema Único de Saúde (SUS) relacionada ao abastecimento das insulinas.
“Estamos vivendo um momento de transição entre o uso da insulina NPH e os análogos de insulina, neste caso, a insulina glargina, que é um análogo de ação prolongada. Essa transição acontece em um cenário mundial de restrição na produção e distribuição das insulinas humanas, e o SUS criou essa estratégia visando garantir o abastecimento ininterrupto de insulina na Atenção Primária à Saúde”, explicou.
A médica ressalta que a primeira etapa envolve justamente a preparação dos profissionais para a prescrição e o acompanhamento adequados.
“Este primeiro momento é de capacitação dos profissionais para que eles possam fazer a prescrição correta e o acompanhamento do análogo de insulina. Inicialmente, a estratégia vai atender pacientes idosos com mais de 70 anos, com diabetes tipo 1 ou tipo 2, e crianças e adolescentes de 2 a 17 anos que tenham diabetes tipo 1”, detalhou Bruna.
Mais segurança no acompanhamento
A mudança de uma insulina para outra exige acompanhamento próximo das equipes de saúde, principalmente para orientar o paciente quanto ao uso correto, observar a resposta ao tratamento e identificar possíveis alterações.
Por isso, a capacitação não se limita à apresentação do novo medicamento. Os profissionais recebem orientações para reconhecer quem pode se beneficiar da transição e acompanhar cada caso dentro da realidade clínica do paciente.
Para a secretária municipal da Saúde, Dênia Rodrigues, preparar os profissionais antes da ampliação do uso da glargina é fundamental para garantir que a novidade chegue à população acompanhada de conhecimento e segurança.
“Estamos dando um passo importante para a nossa rede de Atenção Primária. A chegada da glargina traz uma nova possibilidade de tratamento, mas, para que ela seja utilizada da melhor maneira, precisamos primeiro preparar quem está na ponta, acompanhando diariamente os nossos pacientes. Essa capacitação garante que médicos, enfermeiros e nutricionistas estejam alinhados e preparados para orientar, prescrever e acompanhar essa transição com responsabilidade”, destacou.
(Por: Rodrigo Araújo | Foto: Marcos Sandes Filho/SECOM)





