Segundo a especialista, que é mestra em Biodiversidade, Ecologia e Conservação, e membro do Grupo Brasileiro de Referência em Crocodilianos, o jacaré-açu é um predador oportunista que aprende a associar sons e a presença humana à comida, especialmente em locais onde há descarte de restos de peixes.
“O jacaré-açu não procura pessoas, procura alimento. Quando pescadores ou turistas deixam peixes, vísceras ou restos de comida próximos à água, o animal pode associar aquele local a uma fonte fácil de alimento e passar a frequentá-lo”, destacou. Apesar de conseguirem ajustar seus padrões de movimento e uso do habitat conforme as variações do ambiente, não é comum que esses animais se aproximem espontaneamente de seres humanos na natureza. Barthira reforça que, no caso de fêmeas em período reprodutivo, o comportamento pode se tornar intensamente defensivo para proteger ninhos e filhotes.
Jacaré permaneceu próximo de jovens que pescavam em rio — Foto: Divulgação/Arthur Wieczorek
Considerado o maior crocodiliano do Brasil, o jacaré-açu impressiona pelo porte. Segundo a especialista, a espécie pode atingir até 6 metros de comprimento total, com machos frequentemente ultrapassando os 4 metros. Os animais podem viver por várias décadas.
Sobre a segurança, a recomendação da bióloga é enfática. “Alimentar jacarés nunca é recomendado, assim como não se deve alimentar qualquer animal silvestre. É importante destacar que essa aproximação não significa domesticação ou comportamento amigável. Trata-se de uma resposta condicionada pela expectativa de alimento”, alerta.
Barthira lembra que o jacaré-açu possui capacidade de causar ferimentos graves, e ataques podem ocorrer, principalmente contra banhistas e pescadores em áreas onde os animais foram condicionados a viver. “A principal recomendação é tratar todo encontro com cautela e respeito”, finaliza a bióloga.
Estudo inédito no Tocantins
Herpetóloga estuda sobre a ecologia reprodutiva de jacarés-açus no Tocantins — Foto: Arquivo pessoal/Barthira Rezende
Realizada no Parque Nacional do Araguaia, na Ilha do Bananal, a pesquisa trouxe novidades sobre a espécie na bacia Araguaia-Tocantins. Durante anos de monitoramento em campo, ela localizou e caracterizou ninhos, obtendo dados inéditos sobre o tamanho das ninhadas, o sucesso de eclosão e a sobrevivência dos filhotes.
O estudo é fundamental para criar estratégias de conservação diante das pressões climáticas e do uso da terra na região.





