O consumo excessivo de álcool é um dos principais fatores de risco para doenças do fígado. Embora o órgão seja responsável por metabolizar o álcool e eliminar diversas substâncias do organismo, a exposição frequente ou intensa às bebidas alcoólicas pode provocar inflamação e danos progressivos às células hepáticas.
O problema é que, em muitos casos, as alterações no fígado se desenvolvem silenciosamente, sem apresentar sintomas evidentes nas fases iniciais. Quando os primeiros sinais aparecem, a doença já pode estar em estágio avançado.
O gastroenterologista cirúrgico Neeraj Dhamija, do Hospital Sir Ganga Ram, explicou ao site OnlyMyHealth quais sintomas podem indicar problemas hepáticos relacionados ao consumo de álcool e por que eles não devem ser ignorados.
Segundo o especialista, uma das complicações mais graves é a cirrose, doença caracterizada pela formação de cicatrizes no fígado, que comprometem progressivamente seu funcionamento.
“A cirrose alcoólica pode se desenvolver em pessoas que bebem em excesso ao longo do tempo, embora a quantidade e a duração do consumo que levam à lesão hepática variem de pessoa para pessoa”, explicou.
1. Pele e olhos amarelados
Um dos sinais mais conhecidos de problemas no fígado é a icterícia, condição que provoca uma coloração amarelada na pele e na parte branca dos olhos.
Isso acontece quando a bilirrubina, pigmento produzido durante a decomposição dos glóbulos vermelhos, se acumula no organismo.
“A icterícia é um dos sinais mais reconhecíveis de disfunção hepática”, destacou Dhamija.
A alteração pode indicar dificuldades do fígado para processar e eliminar a bilirrubina, mas também pode estar associada a outras doenças. Por isso, exige avaliação médica.
2. Dor ou inchaço na região abdominal
Outro sintoma que merece atenção é a presença de dor, desconforto ou sensibilidade na parte superior direita do abdômen, região onde o fígado está localizado.
“A inflamação pode causar desconforto ou sensibilidade na parte superior direita do abdômen”, explicou o gastroenterologista.
Em situações mais avançadas, também pode ocorrer aumento do volume abdominal devido ao acúmulo de líquidos, condição conhecida como ascite.
Essas alterações podem estar relacionadas a doenças hepáticas e precisam ser investigadas.
3. Náuseas, vômitos e perda de apetite
Problemas no fígado também podem provocar sintomas digestivos, como náuseas frequentes, episódios de vômito e diminuição do apetite.
Segundo Dhamija, pessoas com inflamação hepática associada ao consumo de álcool podem apresentar dificuldades para se alimentar e perda de peso sem explicação aparente.
“A inflamação do fígado relacionada ao consumo de álcool pode causar náuseas, vômitos e redução do apetite. Algumas pessoas também podem apresentar perda de peso inexplicável ou uma sensação geral de mal-estar”, afirmou.
Embora esses sintomas possam ter diversas causas, quando persistem devem ser avaliados por um profissional de saúde.
4. Cansaço constante e fraqueza
Sentir-se frequentemente cansado, mesmo depois de uma boa noite de sono, também pode ser um sinal de alerta.
O fígado desempenha funções essenciais no metabolismo dos nutrientes e na produção de substâncias importantes para o organismo. Quando está comprometido, podem surgir fadiga intensa e sensação de fraqueza.
“Sentir-se exausto apesar de descansar o suficiente pode ser um sinal de doença hepática. Um fígado danificado pode ter dificuldades para desempenhar suas funções normais, enquanto a má nutrição e a inflamação podem contribuir para a fraqueza”, explicou o especialista.
5. Urina escura e fezes claras
Mudanças na coloração da urina e das fezes também podem indicar alterações no funcionamento do fígado ou das vias biliares.
A urina pode ficar mais escura, enquanto as fezes podem apresentar coloração muito clara, esbranquiçada ou semelhante à argila.
“Essas alterações podem ocorrer em casos de distúrbios do fígado ou das vias biliares. Se surgirem juntamente com os olhos ou a pele mais amarelados, procure atendimento médico”, recomendou Dhamija.
A combinação desses sintomas pode indicar alterações importantes no processamento ou na eliminação da bile.
6. Hematomas e sangramentos frequentes
O aparecimento de manchas roxas sem motivo aparente e episódios frequentes de sangramento também merecem atenção.
Isso acontece porque o fígado participa da produção de proteínas fundamentais para a coagulação do sangue.
Quando sua função está comprometida, o organismo pode apresentar dificuldades para controlar pequenos sangramentos.
“Hematomas frequentes e inexplicáveis, sangue nas gengivas ou sangramentos nasais repetidos devem ser avaliados por um médico”, alertou o gastroenterologista.
7. Confusão mental e sonolência excessiva
Em casos mais graves, doenças hepáticas podem comprometer até mesmo o funcionamento do cérebro.
A chamada encefalopatia hepática ocorre quando o fígado não consegue eliminar adequadamente determinadas substâncias, que acabam se acumulando na circulação sanguínea e afetando o sistema nervoso.
Entre os sintomas estão confusão mental, sonolência excessiva, dificuldade de concentração e alterações de comportamento.
“Doenças hepáticas avançadas podem permitir o acúmulo de substâncias nocivas na corrente sanguínea e afetar a função cerebral”, explicou Dhamija.
Esses sinais exigem atendimento médico imediato, especialmente quando surgem repentinamente.
Como proteger o fígado dos danos provocados pelo álcool?
A principal medida para prevenir doenças hepáticas relacionadas ao álcool é evitar seu consumo. Não existe uma quantidade de bebida alcoólica completamente isenta de riscos para a saúde.
Além disso, manter uma alimentação equilibrada, praticar atividades físicas e controlar condições como obesidade e diabetes pode contribuir para preservar a função hepática.
Pessoas que consomem bebidas alcoólicas regularmente ou apresentam sintomas suspeitos devem procurar avaliação médica. Exames de sangue e, quando necessário, exames de imagem podem ajudar a identificar alterações no fígado.
É importante lembrar que as doenças hepáticas podem permanecer silenciosas por muito tempo. Por isso, não apresentar sintomas não significa necessariamente que o órgão esteja saudável.
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Notícias ao Minuto | 06:50 – 12/10/2026





