Ex-parlamentares anunciaram desistência no mesmo dia, mas apresentaram razões diferentes para deixar a corrida eleitoral de 2026
A disputa pelas oito vagas do Tocantins na Câmara dos Deputados passou por uma nova reconfiguração nesta segunda-feira (17). Em movimentos distintos, os ex-deputados federais Lázaro Botelho e Célio Moura anunciaram que não seguirão como candidatos nas eleições de 2026.
As decisões retiram dois políticos experientes da corrida eleitoral e provocam efeitos diretos nas estratégias dos partidos e candidatos que permanecem na disputa.
Em Araguaína, Lázaro Botelho confirmou que deixa a eleição para apoiar a candidatura do vereador Lucas Campelo a deputado federal. O anúncio fortalece o projeto político de Campelo, que tenta transformar sua expressiva votação municipal em uma candidatura competitiva em todo o Tocantins.
Vereador mais votado de Araguaína, Lucas passa a contar com o apoio de uma liderança que exerceu vários mandatos na Câmara Federal. Além da experiência acumulada, Lázaro mantém relações políticas com prefeitos, vereadores, ex-gestores e lideranças de diferentes regiões do estado.
A nova aliança reúne duas gerações da política local. De um lado, está a trajetória e a capacidade de articulação de Lázaro; do outro, a renovação representada por Lucas Campelo. O efeito eleitoral dependerá da adesão das lideranças que historicamente acompanharam o ex-deputado.
A movimentação também reforça o Republicanos na disputa proporcional. Em sentido contrário, a desistência representa uma baixa para a Federação União Progressista, formada pelo União Brasil e pelo PP, grupo pelo qual Lázaro pretendia concorrer.
Célio Moura deixa disputa para acompanhar tratamento da esposa
Também nesta segunda-feira, o ex-deputado federal Célio Moura, do PT, comunicou sua retirada da disputa. A decisão foi motivada pelas limitações de saúde decorrentes das sequelas de um acidente e, especialmente, pela necessidade de acompanhar a esposa, Magda Selma Moura, que enfrenta um tratamento contra o câncer.
Em sua manifestação pública, Célio também apresentou críticas à condução do PT no Tocantins. O ex-parlamentar citou divergências internas, isolamento e o afastamento de princípios que considera fundamentais para a história da legenda.
Apesar da insatisfação, Célio afirmou que permanecerá na vida política. Ele reafirmou sua ligação com o PT e declarou apoio à reeleição do presidente Lula.
A direção estadual do partido manifestou solidariedade ao ex-deputado e à sua família. O PT informou que considerava a candidatura de Célio prioritária para o projeto eleitoral da legenda no Tocantins, mas afirmou compreender a decisão de colocar os cuidados familiares e a saúde da esposa em primeiro lugar.
Eleito em 2018 com 18.167 votos, Célio Moura tornou-se o primeiro representante do PT tocantinense a conquistar uma cadeira na Câmara dos Deputados. Na eleição de 2022, alcançou 36.186 votos, mas não conseguiu renovar o mandato.
Partidos terão de reorganizar estratégias
Embora tenham ocorrido no mesmo dia, as duas desistências apresentam consequências diferentes. Lázaro Botelho já definiu seu novo posicionamento e pretende direcionar seu grupo político para Lucas Campelo. Célio Moura, por sua vez, deixa uma lacuna na chapa petista, que perde um de seus nomes mais conhecidos e experientes.
Com somente oito vagas destinadas ao Tocantins, cada mudança interfere diretamente nos cálculos partidários, na formação das bases e na distribuição dos votos. As saídas de Lázaro e Célio abrem espaço para novos acordos e devem intensificar as articulações entre os candidatos que continuam na disputa.





