Foi então que a família decidiu transferir a criança do município paraense para o Pronto Atendimento Infantil de Araguaína. Depois, Heloíse foi levada ao Hospital Municipal de Araguaína. Ela não resistiu e morreu no dia 14, com suspeita de encefalite.
🔍 A encefalite é uma inflamação do cérebro que pode ser causada por infecções, principalmente por vírus, ou por uma reação do próprio sistema imunológico. A doença pode provocar sintomas como febre, dor de cabeça, confusão mental, sonolência, convulsões e alterações de comportamento. Em casos mais graves, pode causar sequelas neurológicas e até levar à morte.
Em nota, a direção das unidades informou que a paciente foi internada após apresentar quadro neurológico grave. Apesar do tratamento, houve piora progressiva e na segunda-feira (14) foi confirmado o diagnóstico de morte encefálica (veja nota completa abaixo).
A mãe contou que, durante a internação em Araguaína, a criança voltou a ter convulsões.
“De segunda para terça, de madrugada, ela teve outra convulsão. Naquele momento em que ela teve aquela convulsão, eu vi que ela meio que ficou diferente. Olhava para ela, ela parecia que tinha meio que perdido o sentido. Ela só olhava, tentava falar, mas não conseguia”, contou a mãe. Heloíse Oliveira Santos morreu em hospital de Araguaína — Foto: Arquivo Pessoal de Hanna Mirelly
Segundo Hanna, Heloíse não teve febre nem apresentou outros sintomas além da dor de cabeça e de um episódio de vômito. A mãe também afirmou que a menina estava com as vacinas em dia.
A pequena foi levada para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde precisou ser intubada e sedada. Os exames mostraram inchaço no cérebro. Segundo Hanna, os médicos passaram a suspeitar de encefalite e iniciaram o tratamento. Também foram realizados exames para investigar outras possíveis causas, que descartaram meningite.
Hanna Mirelly e a filha Heloise — Foto: Arquivo Pessoal de Hanna Mirelly
Após alguns dias na UTI, os médicos informaram à família que seria iniciado o protocolo para confirmação da morte cerebral.
“Naquele momento foi muito difícil, meu mundo desabou, porque eu vi que tinha algo, que ela não estava acordando. Mas eu não queria acreditar”, contou a mãe. O protocolo foi concluído após novos testes clínicos e exames. Segundo Hanna, os médicos constataram a ausência de atividade cerebral e confirmaram a morte cerebral no dia 14 de setembro.
Nota do Hospital Municipal de Araguaína
A direção do Hospital Municipal de Araguaína – HMA esclarece que a paciente H.O.S. deu entrada no Pronto Atendimento Infantil – PAI na noite de domingo (6). Em seguida, foi encaminhada ao HMA, onde foi constatado ser natural do município de Piçarra, no Pará.
Embora natural de outro estado e sem nenhum encaminhamento, a Regulação autorizou atendimento e internação da paciente em razão de quadro neurológico agudo de elevada gravidade apresentado no momento em que deu entrada na unidade hospitalar, visando o bem-estar da criança.
Segundo o relatório, os familiares informaram que a paciente estava internada no hospital local desde quinta-feira (3), onde apresentava episódios de crise convulsiva. Por acreditarem que não estava melhorando, decidiram tirar a paciente do hospital e levá-la ao PAI por livre demanda, no domingo (6).
Já no HMA, na segunda-feira (7), a paciente passou por exames laboratoriais e de imagem, avaliação neurológica, terapia anticonvulsivante e tratamento antimicrobiano e antiviral empírico. Depois, na UTI Pediátrica, na terça-feira (8), passou por outras medidas de terapia intensiva necessárias à evolução clínica.
Apesar das medidas terapêuticas adotadas, houve progressiva deterioração do estado neurológico. Em exame tomográfico subsequente, foram detectadas alterações cerebrais significativas na paciente, que passou a apresentar coma arreativo e ausência de reflexos de tronco cerebral.
Diante da evolução neurológica, iniciou-se o protocolo para determinação de morte encefálica, na sexta-feira (11), sob acompanhamento da equipe multidisciplinar e presença de familiares. Com a conclusão das etapas previstas no protocolo e a confirmação dos critérios documentados para morte encefálica, foi realizado o encerramento do protocolo e a emissão da Declaração de Óbito, na segunda-feira (14). Durante todo o processo, foi realizado acolhimento, escuta e esclarecimentos aos familiares, diante da gravidade e irreversibilidade do quadro.





