O agente de carreira da PF batia ponto no Palácio dos Bandeirantes como assessor especial do governador até junho do ano passado, quando o Ministério da Justiça, ainda na gestão de Flávio Dino, cancelou sua cessão. A justificativa, na época, foi de que a corporação sofria com falta de efetivo devido à criação de novas diretorias.
Auxiliares de Tarcísio, no entanto, avaliam que o ato foi uma represália contra Campetti devido à sua participação na condução coercitiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a operação Lava Jato e na escolta do petista a caminho do velório do neto, em 2019. A atuação do agente gerou revolta de integrantes do PT por ele ser um apoiador declarado de Jair Bolsonaro nas redes sociais.
Durante a campanha a deputado estadual, Campetti divulgou ostensivamente sua participação na condução coercitiva de Lula. Atualmente, ele é alvo de um processo administrativo disciplinar dentro da PF que o investiga pela presença no tiroteio de Paraisópolis, em outubro de 2022, quando Tarcísio, então candidato, teve uma agenda de campanha interrompida por um confronto entre policiais e criminosos. A troca de tiros deixou um morto.
Campetti chegou a ser afastado da sua função na PF, mas depois foi recolocado. O processo ainda está em curso e pode resultar em demissão.
Desde sua saída do Bandeirantes, o governador busca uma forma de o abrigar na Alesp, devido ao risco de a PF demiti-lo. Tarcísio chegou a oferecer a Secretaria Estadual de Turismo ao deputado estadual Tomé Abduch, que recusou. Nas últimas semanas, interlocutores buscavam uma solução que garantisse o policial no Legislativo paulista, sem depender da eleição do líder do governo na Alesp, Jorge Wilson, o Xerife do Consumidor, que é candidato à prefeitura de Guarulhos. Se eleito, o parlamentar terá que se licenciar do cargo. Caso perca, ele se mantém e não abre espaço para suplentes.
A relação do governador com o policial começou ainda no governo de Jair Bolsonaro. Naquele período, ele teve funções no ministério da Agricultura sob comando da hoje senadora Teresa Cristina e, a partir de dezembro de 2021, no gabinete de Tarcísio, então ministro da Infraestrutura.


