As multas devidas pelas empreiteiras chegam a R$ 11,8 bilhões em valores corrigidos. Em fevereiro, Mendonça deu 60 dias para que o valor fosse repactuado, diante das queixas das empresas de falta de condições financeiras para realizarem o pagamento. Como não se chegou a um acordo, o ministro renovou o prazo por mais 60 dias.
“Considerando o transcurso de praticamente metade do prazo concedido, reputo necessária a realização de audiência para acompanhamento da evolução das negociações”, escreveu o ministro em despacho com a data de segunda-feira (20).
As empresas querem um abatimento de 50% do valor das multas, mas há resistência por parte do poder público. A equipe técnica da CGU, que conduz a negociação, aceitou a possibilidade do uso do “prejuízo fiscal” no pagamento de parte das multas. As empresas lançariam mão de um crédito tributário para honrar a dívida. Segundo a CGU, existe previsão legal para esse tipo de operação e a alternativa teria recebido o aval de Mendonça.
Existe um limite jurídico para a concessão do desconto. Segundo fontes do Judiciário e do Ministério Público Federal, não é possível reduzir os valores de multas decorrentes de reparação de danos e percentual dos lucros dos contratos obtidos ilicitamente, inclusive em relação ao pagamento e recebimento de propina por parte das empresas.
Originalmente, o valor das multas devidas era de cerca de R$ 8 bilhões. Mesmo antes da correção da cifra, feita pela área técnica da CGU, as empresas alegavam que não tinham recursos para cumprir o pagamento previsto nos acordos firmados com o poder público.
A discussão começou depois que os partidos PSOL, PCdoB e Solidariedade pediram ao STF no ano passado a suspensão da validade de todos os acordos de leniência entre o Estado e empresas antes de ser firmado o ACT (Acordo de Cooperação Técnica), em 6 de agosto de 2020.


