O servidor público Roney Lustosa de Freitas e seu filho Ravi, de 4 anos, emocionaram participantes e espectadores ao completarem um percurso de 5 km. Durante a prova, Roney empurrou o filho em uma bicicleta adaptada. A criança possui um quadro de má-formação congênita na coluna. A chegada de pai e filho foi registrada em vídeo e mostra a dupla cruzando a linha de chegada sob aplausos e gritos de incentivo do público.
O momento foi registrado no último sábado (22), durante a 1ª Corrida da Inclusão e Tradição de Colinas, em Colinas do Tocantins, na região norte do estado. Organizada pela Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Colinas.
Roney é servidor público e explica que a corrida entrou em sua rotina inicialmente por questões de saúde, como forma de lidar com crises de ansiedade. Com o tempo, o esporte ganhou um significado ainda mais profundo, com Ravi ao seu lado.
“Durante a corrida, ele conversava o tempo todo, perguntava se faltava muito e até pedia para eu apertar o passo para chegarmos logo. Ele é muito competitivo. Naquele momento, ele não estava pensando em limitações, estava vivendo a experiência como qualquer criança. Quero que ele cresça sabendo que pode ocupar esses espaços, participar e sonhar. Quero ser exemplo e mostrar que não desisti, para que ele também nunca desista” conta o pai. Ao lado do pai, garoto participou de prova de rua em bicicleta adaptada em Colinas do Tocantins — Foto: Reprodução/Colinas Noticias/Instagram de Dando Passos com o Ravi
A família conta que a dimensão do impacto do vídeo só foi percebida após o encerramento da corrida.
“Nós saímos de casa apenas para participar e viver aquele momento em família. Quando vimos a repercussão, foi surreal. […] Ver o Ravi incluído e tendo essa oportunidade foi muito especial. Mostra que inclusão de verdade não é apenas um discurso, mas permitir que pessoas com deficiência estejam presentes, sejam vistas e vivam todas as experiências”, explica a mãe de Ravi, Mariana Rodrigues.
Mariana Rodrigues conta que a criança foi diagnosticada com mielomeningocele ainda durante a gestação. O menino foi submetido à primeira cirurgia com apenas 12 horas de vida. Ainda de acordo com a mãe, o garoto também passou por outros procedimentos cirúrgicos delicados, incluindo a colocação de uma válvula na cabeça, ligada ao abdômen, para controlar a hidrocefalia.
“Já conseguimos levá-lo três vezes para o tratamento intensivo por meio de doações. Ver o Ravi incluído e tendo essa oportunidade foi muito especial. Mostra que inclusão de verdade não é apenas um discurso, mas permitir que pessoas com deficiência estejam presentes, sejam vistas e vivam todas as experiências”, afirma a mãe. A dedicação aos cuidados com Ravi e com o irmão caçula, Jessé, de 3 anos, fez com que Mariana deixasse temporariamente a carreira na área da pedagogia para acompanhar a rotina médica e terapêutica dos filhos.
Segundo a mãe, Ravi é acompanhado por diversas especialidades, como neurologia, ortopedia e urologia, entre outras.
A família é composta pelos pais, Ravi e o caçula, Jesse Rodrigues de 3 anos — Foto: Reprodução/Instagram de Dando Passos com o Ravi





