A decisão foi assinada pelo juiz Carlos Roberto de Sousa Dutra, da 1ª Vara Criminal de Araguaína, no dia 22 de setembro de 2025, e cabe recurso.
Conforme o documento, cinco pessoas foram julgadas, sendo que quatro réus foram condenados. O quinto réu foi absolvido por falta de provas. Um sexto suspeito de envolvimento no crime segue foragido.
Os condenados devem cumprir as penas em regime fechado e pagar multas. Veja quem são:
Aleksandro José da Conceição – condenado a 38 anos e sete meses de prisão pelos crimes de latrocínio, extorsão mediante sequestro e ocultação de cadáver;Lucas Ferreira de Brito – condenado a 54 anos e um mês pelos crimes de latrocínio, extorsão mediante sequestro e ocultação de cadáver;Domingos Morais da Silva Abreu – condenado a 48 anos e quatro meses pelos crimes de latrocínio, extorsão mediante sequestro e ocultação de cadáver;Maria Eduarda Vieira Sousa – condenada a 30 anos de prisão pelo crime de latrocínio. A defesa de Maria Eduarda informou que não concorda com a sentença e vai recorrer da decisão. “Maria Eduarda é ré primária, mãe de uma criança de apenas 4 anos, e não há elementos concretos que comprovem sua participação direta no crime” (veja nota completa abaixo).
A Defensoria Pública informou que não comenta decisão da Justiça e que todas as pessoas têm direito à defesa, como prevê a Constituição Federal (veja nota completa abaixo).
A defesa de Lucas Ferreira não foi localizada.
Sequestro, roubo e morte
Corpo estava em cova rasa, em Araguaína, no Tocantins — Foto: Divulgação/Alta Tensão-TO
Conforme a decisão, o pecuarista buscava contratar pessoas para limpar e cercar um lote no setor Jardim Mangabeira. Ele teria sido atraído para a casa de Domingos e, quando chegou ao local, foi rendido por quatro homens, que o ameaçaram e torturaram, com o objetivo de conseguir dinheiro.
Carloan estava sem acesso à sua conta bancária e por isso foi obrigado pelos criminosos a pedir uma quantia de R$ 2.500 a um amigo. O dinheiro foi depositado na conta do suspeito foragido. Segundo a decisão, os sequestradores não ficaram satisfeitos com o valor e por isso roubaram a caminhonete e o cartão bancário da vítima.
Eles teriam colocado uma camiseta no pescoço do pecuarista e o sufocaram até a morte. O corpo foi enterrado no quintal da casa.
Segundo o documento, Maria Eduarda estava acompanhada de Aleksandro quando ele foi até um estabelecimento comprar bebidas com a caminhonete roubada. Ela também teria usado o cartão da vítima para fazer compras posteriormente.
Desaparecimento do pecuarista
Carloan Martins Araújo, de 62 anos, com seus cinco netos e filha — Foto: Elma Barros/Arquivo pessoal
O pecuarista desapareceu no dia 19 de outubro de 2024. O corpo dele foi encontrado no dia 21 do mesmo mês. Uma mulher, de 36 anos, relatou para a Polícia Militar que estava na casa de um parente quando ouviu o cachorro latir no fundo de um quintal. Ela foi até o local e visualizou o braço da vítima.
A denúncia feita na época, levou a polícia até o local onde o corpo estava enterrado, no Setor Jardim Mangabeira. Segundo a Polícia Militar, a vítima estava com as mãos amarradas, encapuzada e havia indícios de morte violenta.
Carloan Martins tinha 62 anos, era casado e trabalhava como pecuarista em sua própria fazenda. Em entrevista ao g1, a filha do pecuarista, Elma Barros, contou que o pai era ‘trabalhador, honesto e direito’.
“Meu pai foi um homem muito trabalhador, honesto, direito, uma pessoa de um coração enorme. Morávamos juntos. Sou filha única e meus filhos foram filhos dele também. Um amor único. Teve cinco netos, que eram a vida dele. Ele [Carloan] estava formando meu filho mais velho em medicina, que sempre foi o orgulho dele”, disse.
Na época, o delegado Márcio Lopes, informou que o crime teria acontecido após uma suposta contratação do grupo para prestação de serviços na propriedade rural da vítima. Os criminosos levaram o celular, a carteira e a caminhonete da vítima.
Suspeitos presos em 2024
O quinto suspeito foi localizado em Palmas, no setor Morada do Sol II, e preso em novembro de 2024. Conforme a PM, ele tem várias passagens criminais, incluindo crimes de homicídio, sequestro mediante cárcere privado, roubo, extorsão e tráfico de drogas.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), uma sexta pessoa com participação no homicídio foi identificada e está foragida. Contra ela, há um mandado de prisão em aberto, expedido em dezembro de 2024.
Polícia prende quinto suspeito de matar pecuarista e enterrar em cova rasa
Íntegra da nota da defesa de Maria Eduarda Vieira
Informa a defesa de Maria Eduarda Vieira Sousa, que não concorda com a condenação imposta no processo em que foi sentenciada a 30 anos de reclusão, por entender que a decisão não reflete corretamente as provas dos autos.
Ressaltamos que Maria Eduarda é ré primária, mãe de uma criança de apenas 4 anos, e não há elementos concretos que comprovem sua participação direta no crime que resultou na morte da vítima.
Por essa razão, será interposta apelação criminal perante o Tribunal de Justiça do Tocantins, buscando a reforma da sentença. A defesa pleiteia, em primeiro plano, a absolvição por insuficiência de provas; de forma subsidiária, a desclassificação para crime menos grave ou o reconhecimento de participação de menor importância, com a consequente redução da pena.
Reafirmamos nosso compromisso em garantir que o processo seja analisado de maneira justa, respeitando os princípios constitucionais da ampla defesa, presunção de inocência e individualização da pena.
Íntegra da nota da Defensoria Pública
A Defensoria Pública do Estado do Tocantins não comenta decisões da Justiça envolvendo julgamento de pessoas assistidas. Importante informar que todas as pessoas têm direito à defesa, como prevê a Constituição Federal. Nesse sentido, a Defensoria Pública atua de forma a garantir aos seus assistidos que não apresentam defesa particular um julgamento justo e com amplo direito ao contraditório.


