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27/03/2026
“O crime é organizado. O Estado também precisa ser.” A afirmação de Rodney da Silva marcou a aula magna da especialização em Estratégia de Combate à Criminalidade Organizada, realizada na noite desta quarta-feira, 26, pela Escola Superior do Ministério Público do Tocantins (MPTO), em Palmas.
Diretor de Operações Integradas e de Inteligência da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), órgão vinculado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), o palestrante apresentou uma análise prática sobre o avanço das facções criminosas no Brasil e defendeu uma resposta estatal baseada em inteligência, tecnologia e integração institucional.
Para Rodney da Silva, o enfrentamento ao crime organizado exige uma mudança de postura do Estado, com atuação coordenada e compartilhamento efetivo de informações entre os órgãos.
Durante a exposição, ele destacou o uso crescente de ferramentas tecnológicas nas investigações, como reconhecimento facial, análise de big data, cruzamento de dados, identificação de vínculos, inteligência de fontes abertas (OSINT), além de drones e sistemas de monitoramento aéreo.
“O volume de dados hoje é gigantesco. O desafio deixou de ser coletar informações e passou a ser transformá-las em inteligência para a tomada de decisão. Quem domina isso, sai na frente”, afirmou.
O palestrante também reforçou que a integração entre os entes federativos é condição indispensável para resultados mais efetivos.
“Não existe enfrentamento eficiente sem integração. As facções não respeitam fronteiras e o Estado também não pode atuar de forma isolada. É preciso uma resposta coordenada, com atuação conjunta e troca de inteligência”, pontuou.
Apesar dos avanços, Rodney alertou para os desafios enfrentados pelas forças de segurança, como limitações estruturais, entraves legais, mudanças de gestores, necessidade de capacitação contínua e, sobretudo, a rápida adaptação das organizações criminosas.
A aula magna marcou o início da especialização promovida pelo MPTO, voltada à qualificação de membros e servidores para atuação estratégica no combate à criminalidade organizada.
Representando o procurador-geral de Justiça, Abel Andrade Leal Júnior, o chefe de gabinete da Procuradoria Geral, promotor Juan Rodrigo Aguirre, destacou que a iniciativa reforça o compromisso institucional com a formação contínua.
“O enfrentamento à criminalidade organizada não admite mais qualquer espaço para o improviso ou para atuação isolada. Nós atravessamos um momento em que as facções deixaram de ser meros grupos locais para operar como verdadeiras corporações transnacionais”, afirmou o promotor Juan Aguirre ao destacar que a realização desta pós-graduação se insere no contexto de enfrentamento com o domínio da dogmática penal e das táticas de investigação de alta complexidade.
Sobre a pós-graduação
Com carga horária de 360 horas e duração de 20 meses, o curso é gratuito e destinou 50 vagas para membros e servidores do MPTO e comunidade geral.
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