Economia melhorou, mas perspectivas são pessimistas. A convocação das eleições gerais veio horas após o anúncio de que a inflação em 12 meses desacelerou para 2,3% em abril, o nível mais baixo em quase três anos. Lehmann reforça, porém, que “o pior ainda está por vir” — principalmente a partir de outubro, com a implementação de novas regras do Brexit para importação. “Imagino que a gente vá ter falta de produtos, então há um interesse político em deixar esse problema para o Partido Trabalhista resolver”, analisa.
Brexit: de trunfo a ‘desastre’
Saída da UE foi aprovada em plebiscito em 2016. Na ocasião, 52% dos eleitores — cerca de 17,4 milhões de pessoas — de Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte votaram a favor do Brexit, acreditando no argumento de que a União Europeia prejudicava a soberania dos países do Reino Unido. A vitória levou à renúncia de David Cameron, que era contra a saída. O então primeiro-ministro foi substituído por Theresa May.
Brexit demorou mais de três anos para sair do papel. Embora tivesse defendido a permanência do Reino Unido na UE, May liderou o acordo de saída, tendo falhado três vezes em aprovar o Brexit no Parlamento britânico. Em 2019, após os sucessivos fracassos e pressões dentro do próprio Partido Conservador, a primeira-ministra deixou o cargo e deu lugar a Boris Johnson. Ele foi alçado à posição sob a promessa de concretizar o Brexit o mais rápido possível, o que aconteceu em janeiro de 2020.
Desde então, economia do Reino Unido patinou. O principal argumento dos Conservadores era de que, com o Brexit, o Reino Unido estaria livre das amarras da UE e poderia fechar acordos comerciais com outros países. Na prática, aconteceu o contrário: os custos de vida e dos negócios subiram, a burocracia aumentou e a parte da mão de obra estrangeira deixou o país. Em 2019, o PIB (Produto Interno Bruto) britânico cresceu 1,6%, de acordo com dados oficiais; em 2023, a expansão foi de 0,1%.
Convencer eleitores de que o Brexit falhou é ‘desafio’… Klaus Guimarães Dalgaard, da UFSC, explica que muitos dos votos conquistados pelos Conservadores em 2019 foram de eleitores tradicionalmente Trabalhistas que “viraram a casaca” justamente por causa do Brexit. Colocar a saída da UE em xeque agora, portanto, seria arriscado demais para Starmer, caso seja eleito primeiro-ministro. “Eles [favoráveis ao Brexit] fazem parte da base que vai elegê-lo. Ele só teria capital político para tentar algo do tipo em um eventual segundo mandato”, diz.


