Uma das empresas investigadas é a VITAL – Comércio de Alimentos Ltda, em Gurupi. Segundo a Polícia Civil, o local supostamente funcionava em um “galpão de fachada” sem qualquer movimentação real de carga.
Para a polícia, a organização criminosa simulava a venda de bebidas entre diferentes estados para evitar o pagamento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).
Segundo a decisão da Justiça que autorizou as buscas, as mercadorias compradas em outros estados eram faturadas para o endereço em Gurupi, mas o destino real era a empresa AERO Distribuição, em Palmas.
Para sustentar a fraude, o grupo utilizava o nome de Moisés Gonçalves de Souza como sócio nominal da VITAL. No entanto, a polícia descobriu que ele é um motorista profissional com padrão de vida incompatível com o capital social de R$ 500 mil da empresa.
As empresas AERO Distribuição e VITAL – Comércio de Alimentos Ltda foram procuradas, mas ainda responderam até a última atualização desta reportagem. O g1 não conseguiu contato com a defesa de Moisés Gonçalves.
Agora no g1
Moisés Gonçalves foi apontado nas investigações como um homem de “vida simples” que atuava como “laranja” do esquema. Embora figurasse como dono de uma distribuidora com capital social de R$ 500 mil, ele não possuí patrimônio ou renda compatíveis com a movimentação milionária da empresa, que chegou a comprar quase R$ 4 milhões em mercadorias em quatro meses.
Conforme a Polícia Civil, o controlador das operações é José de Ribamar Pinto de Oliveira. Ele supostamente controlava as empresas utilizando procurações públicas.
Entenda o caso
A Operação Vital foi coordenada pela Divisão Especializada de Repressão a Crimes Contra a Ordem Tributária (DRCOT). O prejuízo causado aos cofres públicos soma R$ 26,4 milhões e o valor foi inscrito em dívida ativa para cobrança oficial.
A investigação detalha que, além do motorista Moisés, o grupo chegou a utilizar o nome de uma pessoa em situação de rua, com antecedentes por pequenos crimes, para figurar como sócio de empresas do esquema.
Essa tática visava blindar os verdadeiros chefes de eventuais cobranças fiscais ou processos criminais, pois os “donos” oficiais não possuíam bens para arcar com as multas.
Ainda segundo a Polícia Civil, a logística do crime era organizada via grupos de WhatsApp, onde agenciadores davam ordens diretas aos motoristas de caminhão para que entregassem as bebidas em Palmas, ignorando o endereço que constava na nota fiscal.
As buscas realizadas em Palmas e Gurupi resultaram na apreensão de computadores e celulares que agora passam por perícia. Entre os investigados está também o contador José Brum de Souza Filho, suspeito de auxiliar na montagem da estrutura contábil fraudulenta que permitiu a omissão sistemática da Escrituração Fiscal Digital (EFD) das empresas envolvidas.





