O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
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Sylvio Costa
30.07.2024 18:42 0
Notícia Em País
Por Pedro Sales
A direita brasileira dominou as menções à disputa eleitoral na Venezuela nas redes sociais. É o que revela monitoramento de 4,6 mil perfis de autoridades brasileiras feito pelo Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados (Ibpad), entre o primeiro minuto da sexta-feira (26) e as 23h59 da segunda (29). De acordo com o levantamento, 55% das mais de 300 figuras políticas que se manifestaram sobre o assunto são da direita. A maior bancada da Câmara dos Deputados, o PL, do ex-presidente Jair Bolsonaro, foi o partido com mais manifestações sobre as eleições venezuelanas. Conforme os dados da pesquisa, 46% das autoridades que se pronunciaram sobre o pleito são filiadas ao partido.
Em relação aos maiores números de postagens sobre o tema, os recordistas foram dois deputados e um senador, todos de direita. O deputado Osmar Terra (MDB-RS) postou 53 vezes sobre as eleições na Venezuela, segundo o Ibpad. O deputado Messias Donato (Republicanos-ES), 44 vezes, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teve 40 publicações sobre o tema.

A pesquisa também mostra o silêncio de autoridades de esquerda. Conforme o levantamento, apenas 25 autoridades de esquerda e de centro-esquerda se manifestaram sobre a eleição venezuelana. Autoridades do Executivo federal, ministros de Estado e o presidente Lula não publicaram sobre o assunto durante o período monitorado. Segundo o Ibpad, a maior parte das manifestações de autoridades de esquerda se deu na segunda-feira, um dia após a votação: foram 52 das 70 publicações feitas por políticos com esse perfil ideológico.
Para a gerente de insights do Autoridades Brasil, do grupo Ibpad, Letícia Medeiros, o monitoramento permite “observar como as autoridades estão se comportando em relação a temas quentes”. Na avaliação dela, a principal constatação foi a discrepância da quantidade de publicações por espectro político. “As autoridades de esquerda e centro esquerda não estão participando do debate. Nosso papel, nesses momentos, é mostrar a fotografia do assunto durante o período analisado. Acredito que essa análise demonstra de forma objetiva o efeito do silêncio da alta cúpula do governo na base de autoridades de esquerda e centro esquerda”, diz Letícia Medeiros.
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O governo brasileiro ainda não se posicionou sobre oficialmente sobre o assunto. Diferente de outros governos aliados de Maduro, como China e Rússia, o Brasil não reconheceu a reeleição de Nicolás Maduro até o momento. O presidente venezuelano, no poder desde 2013, já foi diplomado pelo Conselho Nacional Eleitoral do país para novo mandato a partir de janeiro de 2025. Sua vitória, no entanto, é contestada pela oposição e por observadores internacionais e países como Chile, Argentina, Uruguai e Estados Unidos. Eles alegam que houve fraude na votação. Maduro determinou a expulsão de embaixadores de sete países que não reconheceram sua reeleição.
De acordo com o Conselho Eleitoral, o atual presidente recebeu 51,2% dos votos, enquanto Edmundo González, principal candidato da oposição, obteve 44%. A oposição, no entanto, sustenta que González recebeu 70% dos votos.
Desde ontem a Venezuela é palco de protestos de opositores de Maduro. O presidente Lula se manifestou pela primeira vez sobre o assunto nesta terça, em entrevista à TV Matogrossense, afiliada da Rede Globo em Mato Grosso. Segundo ele, não houve “nada de grave” na eleição venezuelana. “Tem uma briga, como vai resolver essa briga? Apresenta a ata. Se ata tiver dúvida entre oposição e situação, oposição entra com recurso e vai esperar na Justiça tomar o processo. Aí vai ter a decisão, que a gente tem que acatar. Eu estou convencido que é um processo normal, tranquilo”, declarou.
Enviado a Caracas na segunda-feira, o assessor de Assuntos Internacionais da Presidência da República, Celso Amorim, afirmou que o Brasil só reconhecerá a reeleição de Maduro após a divulgação dos boletins eleitorais. Maduro alega que um ataque hacker atrasou a divulgação desses dados. Mesmo assim, a Executiva Nacional do PT divulgou nota em que cumprimenta o presidente venezuelano pela reeleição. “O PT saúda o povo venezuelano pelo processo eleitoral ocorrido no domingo, dia 28 de julho de 2024, em uma jornada pacífica, democrática e soberana. Temos a certeza de que o Conselho Nacional Eleitoral, que apontou a vitória do presidente Nicolas Maduro, dará tratamento respeitoso para todos os recursos que receba, nos prazos e nos termos previstos na Constituição da República Bolivariana da Venezuela”, diz trecho do texto.
Autoria
Sylvio Costa Fundador do Congresso em Foco. Mestre em Comunicações pela Universidade de Westminster, na Inglaterra. Trabalhou como jornalista em veículos como Folha, IstoÉ, Correio Braziliense, Zero Hora e Gazeta Mercantil, entre outros, exercendo as funções de repórter, editor e chefe de reportagem. Ganhou, individual e coletivamente, mais de 20 prêmios de jornalismo e comunicação. É servidor concursado do Senado Federal, onde está lotado na TV Senado.
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