“Assim que eu entrei na igreja, eu sentei, meu primo disse assim: ‘A igreja está caindo’. Ai teve o estralo. Quando eu levantei a cabeça, estava arriando todo o telhado”, descreve Fábio.
Antes de conseguir escapar, ele foi atingido por parte do telhado, que o deixou ferido. Sua mãe, porém, ficou presa sob os escombros e ele precisou retornar para ajudá-la.
“Eu ainda consegui sair, mas caiu uma barra de ferro do meu lado, ai cortou assim (apontando para a região do nariz) e minha mãe ficou lá embaixo. Ai eu voltei para buscar minha mãe”, diz o sobrevivente, que ainda apresentava escoriações no rosto e indicava que sentia dores pelo corpo. “Ela ficou presa, embaixo (dos escombros), e eu fiquei levantando ferro. Por isso estou com essa dor na coluna.”
Fábio recebeu atendimento médico do Samu, e teve alta em seguida. Sua mãe precisou ser hospitalizada porque fraturou o braço. O primo do lavador e uma tia, que também estava na igreja no momento do acidente, também foram liberados pelas equipes de resgate.
A administração municipal informou que 24 pessoas foram atendidas por três Unidades de Pronto-Atendimento (UPA), sendo 12 em três unidades das UPAs administradas pela Fundação Manoel da Silva Almeida/Hospital Maria Lucinda; cinco na UPA Torrões; três na UPA Nova Descoberta; e quatro na UPA Caxangá. Quatro desse total de vítimas foram encaminhadas para hospitais da região.
Passado o susto, Fábio diz que se sente triste e com mágoa pelo o que aconteceu. Contou que conhecia outras pessoas que também se feriram e até uma das vítima fatais. “Somos todos aqui da mesma comunidade. Todo mundo conhece um ao outro. O rapaz mesmo que morreu eu conhecia”, disse.


