A Mega da Virada terá, em 2025, o seu primeiro prêmio de R$ 1 bilhão. Ganhando a quantia sozinho ou dividindo a quantia com outros sortudos, será muito dinheiro a administrar. Por isso, o EXTRA adianta as lições, com a ajuda do presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin), Reinaldo Domingos.
A dica dele é dividir o prêmio em fatias para:
uso imediato – a pessoa pode pagar dívidas, realizar um sonho, ajudar familiares e deixar um dinheiro para uso contínuo;reserva estratégica – a ideia não é usar esse dinheiro, mas em caso de emergência… é melhor poder acessá-lo;sonhos de médio prazo – aqui entram os gastos que podem ser planejados para alguns anos na frente, como a compra de um carro para a filha que ainda não dirige ou a montagem de um consultório para o filho que acabou de entrar na faculdade;longo prazo – neste caso, o objetivo é multiplicar o patrimônio e gerar renda ao longo da vida. Abaixo, o especialista explica como investir cada montante.
Uso imediato
Para o uso mais imediato, voltado a necessidades que surgem nos próximos meses, é essencial aplicar em investimentos de liquidez diária, garantindo que o dinheiro possa ser resgatado a qualquer momento. Opções adequadas são contas remuneradas atreladas ao CDI, CDBs com liquidez diária ou fundos DI de baixo custo. O rendimento aproximado varia entre 0,8% e 1,1% ao mês.
Esses investimentos são indicados para valores que serão usados em até seis meses ou até um ano, pois oferecem segurança e permitem movimentação constante sem comprometer outros objetivos. O risco é mínimo, pois esses produtos são garantidos pelo governo ou pelo Fundo Garantidor de Créditos até os limites estabelecidos.
Mantendo esse dinheiro disponível, o ganhador consegue pagar dívidas, realizar pequenos sonhos ou ajudar familiares sem precisar comprometer a parte destinada a objetivos de médio ou longo prazo.
Reserva estratégica
Essa deve ser tratada de forma separada de todas as outras partes do prêmio, garantindo que o dinheiro esteja sempre disponível para situações inesperadas. A aplicação ideal é a mesma utilizada para o uso imediato, como Tesouro Selic, CDBs com liquidez diária ou fundos DI. A diferença é que ela não será usada cotidianamente, servindo exclusivamente para imprevistos, como problemas de saúde ou despesas urgentes.
O rendimento é semelhante ao do uso imediato, entre 0,8% e 1,1% ao mês, e o risco é mínimo. Manter esse dinheiro em conta separada evita confusão entre diferentes objetivos e preserva a saúde financeira, permitindo agir com segurança diante de situações emergenciais.
Médio prazo
O dinheiro de médio prazo deve ser planejado conforme o prazo de realização de cada objetivo. Para recursos que podem permanecer aplicados por seis meses a um ano, a melhor opção são produtos conservadores, como CDBs com prazo definido, Tesouro Selic, fundos referenciados DI ou Tesouro IPCA+ de curto prazo. Essas aplicações oferecem maior rendimento do que a liquidez diária e garantem segurança.
Se o recurso não será utilizado por um a dois anos, mantém-se essa lógica, e o rendimento esperado é de aproximadamente 1% a 1,2% ao mês. Para objetivos entre dois e cinco anos, é possível diversificar em Tesouro IPCA+, debêntures incentivadas e fundos multimercados conservadores, podendo render em média entre 1,2% e 1,6% ao mês, dependendo do ativo escolhido.
Cada objetivo deve ter uma aplicação própria, evitando que metas diferentes se misturem, e a diversificação ajuda a equilibrar risco e rendimento. O risco é baixo a moderado e manter o dinheiro investido até o prazo planejado maximiza a segurança do rendimento e evita perdas por resgates antecipados.
Longo prazo
Para o longo prazo, que corresponde à maior parte do prêmio, o objetivo é multiplicar o patrimônio e gerar renda ao longo da vida. Por se tratar de um montante muito elevado, é essencial diversificar entre diferentes classes de ativos, incluindo Tesouro IPCA+ de longo prazo, debêntures incentivadas, fundos imobiliários, ações, ETFs e investimentos estruturados, além de parte do capital em ativos internacionais para proteção global. Cada investimento terá seu prazo de retirada específico.
Títulos prefixados e Tesouro IPCA+ rendem melhor se mantidos até o vencimento, enquanto ações e fundos podem ser resgatados, mas o ideal é manter os recursos por pelo menos cinco a dez anos para reduzir o impacto da volatilidade. O rendimento médio de uma carteira diversificada de longo prazo pode variar entre 1,2% e 2% ao mês.
Resgates antecipados podem reduzir o rendimento ou gerar perdas, por isso é fundamental respeitar o prazo de cada aplicação. Mantendo essa disciplina, o ganhador preserva a saúde financeira e garante que o patrimônio seja multiplicado com segurança ao longo dos anos.


