A história viralizou pela atitude imediata de honestidade. O que o motorista não esperava é que o caso ganharia muita repercussão e problemas de diversas ordens, como financeira e psicológica. Tanto que ele entrou na Justiça para pedir reparação ao banco pelos transtornos que sofreu.
O Banco Bradesco, responsável pela transferência errada para Antônio, tem sido questionado sobre o processo desde o início do ano de 2025, mas informou em nota que não comenta casos em trâmite judicial.
Relembre a história do motorista desde que ele virou um “milionário” por um dia:
Motorista devolve cerca de R$ 132 milhões que foram depositados em sua conta por erro
Qual foi o valor exato transferido?
Antes de receber a transferência, Antônio tinha um saldo de R$ 227. O motorista, que trabalha com turismo em Palmas, ficou assustado ao ver o novo saldo milionário. Na época, ele ressaltou que nunca viu tal quantia e que “só conseguiria algo assim se ganhasse na Mega-Sena”.
A experiência como “milionário por um dia” durou cerca de sete horas, tempo em que a quantia foi devolvida por iniciativa do motorista.
Qual foi a origem do erro?
O erro na transferência milionária foi do próprio banco. A fortuna, que se aproximava de R$ 132 milhões, era, na verdade, destinada a outra instituição, e acabou sendo depositada equivocadamente na conta de Antônio. A defesa do motorista destacou que os valores recebidos indevidamente pertenciam ao próprio banco, e não a terceiros.
O que diz a lei sobre dinheiro recebido por engano?
A lei brasileira estabelece que quando uma pessoa recebe um valor na conta por engano, ela é obrigada a devolver. Caso isso não aconteça, a pessoa pode sofrer implicações jurídicas tanto na esfera criminal, por crime de apropriação indébita, quanto na área cível, por configurar enriquecimento ilícito.
A devolução teve alguma recompensa?
“A gente que é honesto no Brasil, a gente paga para ser honesto”, desabafou ele, na época. O banco, por sua vez, informou que não houve cobrança de taxa.
Por que o motorista está processando o banco?
A ação começou a tramitar na Justiça em julho de 2024, mais de um ano após o ocorrido. A defesa argumenta que Antônio sofreu pressão psicológica intensa do gerente do banco para realizar o estorno, “sendo tratado como um criminoso”, além de ter sua vida exposta publicamente. O caso gerou “abalos emocionais e constrangimentos” ao motorista.
Apesar do período de tramitação, a defesa afirmou que o processo está avançando dentro dos prazos previstos (veja nota na íntegra abaixo).
Qual o valor de indenização e recompensa pedido na Justiça?
Na ação movida contra o banco, o motorista pede recompensa e indenização por danos morais. O pedido de recompensa baseia-se no artigo 1.234 do Código Civil e corresponde a 10% do valor devolvido, totalizando mais de R$ 13 milhões.
A defesa também solicita R$ 150 mil por danos morais, alegando que o episódio gerou trauma e medo pela segurança dele e de sua família.
Como a história ganhou proporção nacional?
Antônio Pereira participou do quadro “Acredite em quem quiser” em agosto de 2023, onde compartilhou sua experiência. No programa, ele foi elogiado por sua honestidade pelos artistas que também participaram da atração.
O que diz a defesa do motorista:
Os advogados do Sr. Antônio informam que o processo segue seu curso regular. O banco já apresentou contestação, e a respectiva réplica foi protocolada pela parte autora. Foram indicadas testemunhas capazes de esclarecer, de forma detalhada, como se deu o episódio acerca da transferência milionária equivocada para a conta do Sr. Antônio, bem como os desdobramentos posteriores, incluindo a pressão exercida pelo banco e a comunicação espontânea do equívoco.
Ao juízo foi demonstrada a pertinência das provas requeridas. O banco também arrolou testemunha. No momento, aguarda-se a designação da audiência de instrução.
Quanto ao questionamento sobre eventual demora, os advogados esclarecem que não identificam morosidade anormal: o processo está avançando dentro dos trâmites previstos pelo sistema judicial brasileiro.


