O Corpo de Bombeiros Militar do Tocantins (CBMTO) realizou, na manhã desta quinta-feira (27), uma mesa-redonda técnica voltada aos alunos do Curso de Formação de Oficiais (CFO) e do Curso de Habilitação de Oficiais Administrativos (CHOA). O encontro ocorreu no auditório do Quartel do Comando-Geral e teve como tema “O Comando do Incidente na Resposta ao Colapso da Ponte JK entre Estreito e Aguiarnópolis”, desastre registrado em 22 de dezembro de 2024, que vitimou 18 pessoas — 17 fatais e uma sobrevivente.
A atividade reuniu profissionais que atuaram diretamente na resposta ao colapso, oferecendo aos alunos uma oportunidade de compreender, sob a ótica do Sistema de Comando de Incidentes (SCI), as fases operacionais, os desafios e as decisões críticas que marcaram o evento.
Na abertura do debate, o delegado da Polícia Civil, Tiago, relembrou o cenário encontrado ao chegar na ponte, momento em que carros, caminhões e corpos estavam submersos. Ele destacou o papel da PRF na identificação inicial das vítimas, realizada por meio das placas dos veículos, enquanto iniciou imediatamente o contato com as famílias.
O major Abreu, da Polícia Militar do Tocantins, reforçou que as primeiras dificuldades envolveram o isolamento da área — essencial para garantir a segurança e preservar o cenário — ao mesmo tempo em que a PMTO enfrentava um aumento expressivo de acidentes de trânsito provocados pelos desvios obrigatórios após o colapso da ponte. Equipes do Corpo de Bombeiros de Estreito também prestaram apoio imediato.
Transição para o SCI: estruturação, planejamento e logística
O segundo bloco da mesa redonda envolveu a chegada e a atuação do CBMTO como gestor principal do incidente. O tenente-coronel Matos relembrou os primeiros acionamentos, que incluíram contato imediato com o quartel de Araguaína e, posteriormente, com a Companhia Independente de Busca e Salvamento (CIBS). Ele destacou ainda o risco adicional representado pelos caminhões que transportavam ácido sulfúrico e resíduos de herbicida.
Assumindo o Comando do Incidente no dia 23 de dezembro, o tenente-coronel Donaldo enfatizou a importância da sinergia entre teoria e prática. Segundo ele, a aplicação dos princípios do Sistema de Comando de Incidentes foi fundamental para garantir a organização, a segurança das equipes, a definição de prioridades e a elaboração do primeiro Plano de Ação do Incidente (PAI).
Operações especializadas: desafios no fundo do rio
O tenente-coronel Menezes, responsável pelas operações de mergulho, descreveu o primeiro mergulho de reconhecimento como “um dos momentos mais críticos da operação”. Ele relatou que a água turva exigia o uso de lanternas e técnicas avançadas de varredura subaquática para localizar veículos e vítimas.
Formação baseada em experiências reais
A mesa-redonda encerrou-se como um espaço de troca técnica valiosa, no qual a experiência direta dos profissionais envolvidos contribuiu para ampliar a compreensão dos alunos sobre a gestão de grandes emergências. Ao relembrar cada fase da resposta ao colapso da Ponte JK, o evento permitiu transformar uma ocorrência de alta complexidade em referência prática para a formação dos futuros oficiais. O encontro destacou, sobretudo, a relevância da integração entre instituições e da aplicação estruturada do Sistema de Comando de Incidentes na condução de operações de grande impacto no Tocantins.


