Poucas atrizes conseguiram atravessar tantas décadas da televisão brasileira sem perder relevância, e Claudia Raia é uma delas. Aos 59 anos, a atriz soma personagens que viraram bordão, moda e memória afetiva de gerações inteiras. Da explosão popular com Tancinha, em “Sassaricando”, às mulheres complexas e ambíguas dos anos 2000, Claudia construiu uma carreira marcada por transformação constante. O EXTRA relembra 11 personagens que ajudam a explicar por que ela segue sendo um dos nomes mais fortes da teledramaturgia nacional.
Tancinha (‘Sassaricando’, 1987)
Com o sotaque “italo-paulistano” e o bordão “me tô divididinha”, a personagem transformou Claudia em fenômeno nacional.
“Tancinha causou uma comoção geral. Era uma mulherona, meio Sophia Loren, com característica voluptuosa e tudo, mas fofa, frágil, inocente. Eu curtia cada palavrinha dela e pude inventar muita coisa: ao invés de falar “prateleira”, eu dizia “parteleira”. No início fui malhadíssima por causa do sotaque, mas, depois, todo mundo falava na rua: ‘Beto, me tô divididinha’”, diz Claudia.
Adriana Ross (‘Rainha da Sucata’, 1990)
Na novela que está atualmente no ar, ela era a filha da vilã Laurinha Figueroa (Glória Menezes). Adriana era uma bailarina desajeitada que sonhava com a Broadway, mas acabava dançando lambada. Claudia Raia engordou dez quilos para viver Adriana, a “bailarina da coxa grossa”.
Claudia Raia como a Bailarina da Coxa Grossa em “Rainha da Sucata” — Foto: Irineu Barreto/Agência O Globo A certa altura, a atriz disse a Silvio de Abreu que não aguentava mais ficar tão acima de seu peso e, a partir daí, o autor criou cenas hilárias em que a personagem começa a fazer uma rígida dieta para tentar conseguir um trabalho. Em uma das cenas, para perder calorias, Adriana se enrola em um plástico de PVC, corre e pula corda na sala de sua casa.
Maria Escandalosa (‘Deus nos acuda’, 1992)
Uma trambiqueira de bom coração que conquistou o Brasil. A cena dela subindo no mastro de um navio no Porto de Santos é icônica. Claudia Raia aprendeu a andar de bicicleta por conta da trambiqueira Maria Escandalosa. Tudo porque Silvio de Abreu idealizou a personagem em cenas que lembrassem a atriz italiana Sophia Loren em alguns de seus filmes.
Depois de protagonizarem o romance de Maria Escandalosa e Ricardo Bismark na novela, Claudia Raia e Edson Celulari se casaram na vida real.
Engraçadinha (‘Engraçadinha’, 1995)
Na fase madura da minissérie, Claudia se destacou em seu primeiro papel dramático, com elogios tanto de público quanto de crítica.
Claudia Raia em ‘Engraçadinha’, 1995 — Foto: Jorge Baumann/Globo Ângela Vidal (‘Torre de Babel’, 1998)
Sua primeira grande vilã! Fria e calculista, Ângela era o oposto de tudo o que Claudia já tinha feito. Claudia Raia conta que chegou a ser hostilizada na rua por conta das maldades de sua personagem, Ângela. A atriz revela que procurou a ajuda de uma terapeuta para conhecer um pouco mais sobre o universo dos psicopatas.
Hortência (‘Terra Nostra’, 1999)
Na novela que está no ar, Claudia viveu um drama sofrido na pele da imigrante espanhola. Em entrevistas agora em 2025, a atriz revelou que o papel foi desafiador porque a personagem “não aconteceu” como o esperado, ficando grávida por meses sem o bebê nascer.
Mais de Entretenimento: “Realmente o personagem não se desenvolveu do jeito que ele precisava. Fiquei meses grávida e nunca tinha a criança. Foi uma novela bem confusa e desafiadora para mim. Mas os bastidores eram tão legais… Acabou que virou uma novela histórica, e gostei muito de participar dela, mesmo com esses percalços”, contou ao jornal “O Globo”.
Ramona (‘As filhas da mãe’, 2001)
Um papel corajoso e pioneiro. Claudia interpretou uma mulher trans que voltava ao Brasil para se reconciliar com a família, tratando o tema com muita dignidade e humor.
Claudia Raia como Ramona em “As filhas da mãe” — Foto: Rede Globo/reprodução “Hoje teria que ser uma atriz trans, com toda certeza. Temos várias muito boas, mas na época não havia nem espaço para isso. Essas atrizes nunca puderam trabalhar”, disse ela à coluna Play recentemente.
Mina (‘O beijo do vampiro’, 2002)
Claudia Raia estava grávida de dois meses quando começou a gravar as cenas da novela. Antonio Calmon, então, resolveu engravidar Mina também. Nas cenas, Pandora (Juliana Lohmann), o bebê da vampira, fala com a mãe de dentro da barriga dela. Ao dar à luz Pandora, Mina sai da trama. Claudia Raia deixou a história aos oito meses de gravidez para dar à luz a filha Sophia. Voltou à novela em seu final. Após o nascimento de Sophia, a atriz passou a se maquiar em casa e a fazer curtas aparições na novela. Tudo para poder amamentar o bebê.
A vampira fashionista tinha um figurino gótico-chic da Mina é, até hoje, um dos mais lembrados da carreira dela. As roupas usadas por Claudia Raia, intérprete de Mina, foram inspiradas em modelos do estilista francês Thierry Mugler. O figurino era sofisticado: contava com muitas rendas e bordados, em tons de vinho, roxo, azul-marinho e preto.
Inicialmente, o figurino de Mina tinha sido todo desenhado para ser usado com espartilho, para marcar bem a cintura. Com a gravidez da atriz, tudo precisou ser adaptado. Para interpretar Mina envelhecida, Claudia Raia se submetia a muitas horas de caracterização, que incluía a aplicação de 23 próteses nas mãos, uma máscara de látex e uma peruca vermelha.
Safira (‘Belíssima’, 2005)
O romance entre a bela Safira (Claudia Raia) e o borracheiro Pascoal (Reynaldo Gianecchini) foi uma das tramas de sucesso em “Belíssima”. A moda da vila paulistana causou frisson nos telespectadores com o visual colorido de Safira (Claudia Raia). O cabelo da personagem também virou moda.
Donatela (‘A favorita’, 2008)
Um divisor de águas. Em “A favorita”, a trama central gira em torno da rivalidade entre Flora (Patricia Pillar) e Donatela (Claudia Raia), antigas parceiras da dupla sertaneja fictícia “Faísca e Espoleta”. Impossível não se lembrar da música “Beijinho doce” que fez tanto sucesso e ganhou remixes na internet, com batidas pop, dance e funk.
Tanto Donatela quanto Flora popularizaram a música original, de Nhô Pai, cantando-a em várias cenas da novela. O Brasil inteiro sofreu com a injustiça vivida por Donatela. As duas atrizes tiveram que criar personagens que fossem vilãs e mocinhas ao mesmo tempo.
Jaqueline Maldonado (‘Ti ti ti’, 2010)
Cláudia Raia em “Ti ti ti” interpretou a icônica e extravagante perua Jaqueline Maldonado, uma estilista apaixonada pelo rival Jacques Leclair (Alexandre Borges), conhecida por seu humor ácido, figurinos chamativos (como os cintos e macacões) e frases de efeito, sendo uma das personagens mais queridas da novela de 2010, que teve grande sucesso em reprise.


