O debate ganhou força após a derrubada de mais de 71 árvores em um terreno tombado no Flamengo
Área do antigo Colégio Bennett, no Flamengo, após a derrubada de mais de 70 árvores para a construção de um empreendimento imobiliário — Foto: Reprodução Em dezembro, dados da Prefeitura do Rio mostraram que que a capital fluminense tem um déficit de 860 mil árvores. Em meio ao calorão dos últimos dias, a discussão sobre a importância de sanar o problema volta à tona. Para o presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro (CAU/RJ), Sydnei Menezes, a política de arborização urbana precisa deixar de ser tratada como consequência de obras privadas e passar a integrar, de forma estruturante, o planejamento da cidade. Ele critica o modelo baseado quase exclusivamente em compensações ambientais do licenciamento imobiliário, em um debate que ganhou força após a derrubada de mais de 71 árvores em um terreno tombado no Flamengo, na Zona Sul da capital, para a implantação de um empreendimento imobiliário.
— Não se pode simplesmente plantar árvores na cidade a partir de compensações ambientais, ou seja, a partir de uma licença de alguma obra que será executada pelo poder imobiliário. Não é possível que haja esse tipo de dependência para a política ambiental — defende.
O episódio levou o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) a notificar a Prefeitura do Rio, que deverá informar, até o próximo dia 20, quais ações e prazos estão sendo adotados para o controle e o monitoramento das compensações ambientais exigidas nesses processos.
— A retirada dessas árvores provoca uma onda de calor imediata no microclima local — afirma o presidente do CAU/RJ.
Desigualdade na arborização
Dados do Censo 2022, divulgados pelo IBGE, revelam que 37% dos moradores da Região Metropolitana do Rio de Janeiro vivem em ruas sem qualquer tipo de arborização. Como consequência, diversos bairros passam a enfrentar fenômenos como as chamadas “ilhas de calor”, que elevam a temperatura local em razão da escassez de vegetação.
Para Sydnei Menezes, a preservação e o plantio de árvores precisam estar no centro das decisões urbanísticas, garantindo conforto ambiental e qualidade de vida de forma permanente:
— Uma das funções mais importantes da árvore na paisagem urbana da cidade é garantir o conforto ambiental, por isso é muito importante uma política de arborização urbana. Plantar árvores na cidade é imprescindível para garantir essa ambiência.
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