Uma menina de seis anos perdeu os pais, o irmão e o primo no recente descarrilamento de trens na Espanha. A criança foi encontrada sozinha entre os destroços do acidente, que deixou ao menos 40 mortos.
Já durante a noite, dois socorristas localizaram a menina vagando pela área onde dois trens saíram dos trilhos e colidiram. Desorientada e aparentemente sozinha, ela caminhava ao longo da linha férrea onde ocorreu a tragédia.
Na estação de Huelva, a avó da criança, que havia se deslocado ao local após saber do acidente, foi informada de que a neta havia sido encontrada e estava bem, o que renovou momentaneamente a esperança da família.
A menina viajava a lazer com os pais, o irmão de 12 anos e um primo de 23. Os cinco haviam ido a Madri para assistir a uma partida do Real Madrid contra o Levante, no sábado, e deixaram o estádio comemorando a vitória do time por dois gols.
No domingo, embarcaram em um trem de alta velocidade da empresa pública Renfe para retornar a Huelva, onde moravam, sem imaginar o que estava por vir.
Por volta das 19h45 no horário local, um trem da empresa privada Iryo, que fazia o trajeto entre Málaga e Madri, descarrilou e atingiu uma composição da Renfe que seguia no sentido contrário.
Após a colisão, segundo o jornal El Mundo, a criança conseguiu sair do vagão destruído por uma das janelas. Ela foi levada a um hospital e precisou levar apenas três pontos na cabeça, saindo praticamente ilesa do acidente.
Na manhã desta segunda-feira, familiares chegaram a receber a informação de que o irmão da menina também estaria internado no mesmo hospital, o que reacendeu a esperança. Mais tarde, porém, a informação foi desmentida. O menino não estava internado, assim como os pais da criança e o primo, que morreram no acidente.
Da família de cinco pessoas que viajou a Madri, apenas a menina sobreviveu.
Os Zamora Álvarez moravam em Aljaraque, perto de Huelva, e eram bastante conhecidos em Punta Umbría, onde mantinham uma loja de roupas infantis muito popular na comunidade, segundo o jornal El País. “Eram muito queridos”, lamentou o representante local José Carlos Hernández, ao destacar a forte ligação da família com a população da região.
Mãe, irmão e primo da família Zamorano Álvarez© @andreikraciun/X
Confirmados 40 mortos A família Zamorano Álvarez é apenas uma entre dezenas atingidas pelo descarrilamento ocorrido na tarde de domingo, em Adamuz, na Espanha. Até o momento, as autoridades confirmaram 40 mortes. Outras 41 pessoas permanecem internadas, sendo 12 delas, incluindo uma criança, em unidades de terapia intensiva.
As causas do acidente ainda não foram oficialmente esclarecidas, mas a investigação identificou nesta segunda-feira um elemento considerado crucial para entender o que provocou a tragédia.
No local do acidente, os investigadores encontraram uma junta quebrada, responsável pela ligação entre os trilhos. De acordo com a agência Reuters, a equipe responsável pela apuração do caso identificou indícios de que a falha já existia havia algum tempo.
A peça defeituosa teria provocado a abertura gradual entre as duas partes do trilho. Com a passagem constante de trens de alta velocidade, esse espaço teria aumentado progressivamente. A principal hipótese é que essa falha estrutural esteja relacionada ao descarrilamento das duas composições.
Colisão entre trens: “celulares ao lado dos corpos não paravam de tocar” Colisão envolvendo composições da Renfe e da Iryo ocorreu na região de Córdoba, na Andaluzia, mobilizou equipes de resgate durante a madrugada e levou à suspensão do tráfego ferroviário em diversas rotas do sul do país.
Notícias ao Minuto | 10:30 – 19/01/2026
Sindicato havia alertado para “desgaste severo” nos trilhos
O caso ganhou um novo elemento nesta segunda-feira com a divulgação de uma carta do sindicato espanhol de maquinistas, o SEMAF, que já havia alertado para problemas graves no trecho onde ocorreu o acidente. O documento, enviado em agosto do ano passado, mencionava um “desgaste severo” nos trilhos da região.
Na carta encaminhada à Administradora de Infraestruturas Ferroviárias (ADIF), o sindicato apontava sinais claros de deterioração na ferrovia de alta velocidade, como buracos, saliências e desequilíbrios nas linhas elétricas. Segundo o SEMAF, essas falhas provocavam avarias frequentes e causavam danos aos trens que circulavam pelo local.
O alerta contrasta com a avaliação inicial do ministro dos Transportes, Óscar Puente, que classificou o acidente como “extremamente estranho”. Após consultar especialistas, ele destacou que a colisão ocorreu em um trecho reto da linha ferroviária, acrescentando que o trem que descarrilou é “praticamente novo”, com menos de quatro anos de uso, e que a via havia passado por obras recentes.
Puente informou ainda que foram investidos cerca de 700 mil euros na renovação da ferrovia e que as intervenções no local do acidente foram concluídas em maio do ano passado. A carta do sindicato, no entanto, é datada de agosto de 2025, meses depois da conclusão dessas obras.
Também foi confirmado que o trem envolvido no descarrilamento, fabricado em 2022, havia passado por inspeção no dia 15 de janeiro, apenas três dias antes do acidente.
Veja as imagens do trágico acidente entre dois trens na Espanha Colisão envolvendo composições da Renfe e da Iryo ocorreu na região de Córdoba, na Andaluzia, mobilizou equipes de resgate durante a madrugada e levou à suspensão do tráfego ferroviário em diversas rotas do sul do país.
Notícias ao Minuto | 07:10 – 19/01/2026


