Policiais seguem afastados; norma prevê troca do equipamento em caso de falha, e caso é investigado
Andrea Marins Dias, de 61 anos, morreu durante uma perseguição de policiais militares do 9º BPM a suspeitos em Cascadura — Foto: Instagram/Reprodução Os três policiais militares envolvidos na morte da médica Andrea Marins Dias, aos 61 anos, durante uma perseguição a suspeitos em Cascadura, na Zona Norte do Rio, não registraram o momento da ocorrência em suas câmeras corporais. As baterias dos equipamentos de todos eles, de acordo com as análises preliminares dos setores técnicos da corporação, estavam descarregadas. Procurada, a Polícia Militar disse que os fatos seguem sob apuração e que os agentes seguem afastados dos serviços nas ruas. A informação foi noticiada pelo G1 e confirmada pelo EXTRA.
“Existem normas rígidas que determinam que os policiais, ao perceberem que há qualquer tipo de falha ou mau funcionamento das câmeras, devem regressar à unidade de origem para substituição dos equipamentos”, diz um trecho da nota divulgada pela PM.
Questionada sobre quando o turno daquela patrulha havia começado, já que a médica morreu às 18h, a Polícia Militar reiterou que “todos os fatos seguem em apuração e sob procedimento investigativo”, sem mais detalhes.
Pessoa ‘de luz e alegria’, diz amigo
O velório de Andrea reuniu parentes e amigos na tarde desta terça-feira no Cemitério da Penitência, na Zona Norte. A família estava mais reclusa e preferiu não falar com a imprensa. Coube ao anestesiologista Armando Novais, que por mais de dez anos acompanhou Andrea pelas salas de cirurgia e acabou virando amigo, falar sobre ela, a quem descreveu como um ser “de luz e alegria” e cuja morte definiu como a de “uma pessoa da família”. Ele também pediu que as investigações esclareçam o caso. As apurações sobre o caso estão a cargo da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC). A Polícia Civil disse que não tem nenhuma atualização para divulgar e que as investigações seguem em andamento.
— Era uma pessoa muito viva, tinha luz, energia e dedicada ao outro. A morte dela foi uma catástrofe, algo ainda difícil de compreender. É como perder uma pessoa da família — afirmou Novais, que realizaria mais uma cirurgia ao lado de Andrea na próxima sexta-feira.
O médico afirmou que amigos e familiares aguardam esclarecimentos sobre as circunstâncias da morte e defendem que eventuais falhas na ação policial sejam apuradas. Sem atribuir responsabilidade direta, ele disse que a prioridade, neste momento, é entender o que aconteceu.
— Todo mundo quer justiça. É o que as pessoas de bem buscam. Não posso acusar ninguém, não sou investigador. Mas, se teve um erro, que seja corrigido. E que a verdade venha à tona — concluiu o amigo.
Ele relata que os pais de Andrea, ambos em idade avançada, eram cuidados de perto por ela. Agora, amigos e familiares já se mobilizam para não os deixar desamparados. Assim como a filha dela, que ainda está na faculdade.
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