A declaração da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro sobre o ministro Alexandre de Moraes provocou forte repercussão entre apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro e movimentou as redes sociais nesta semana. Durante um evento político realizado em Brasília, Michelle chamou Moraes de “irmão em Cristo” ao comentar, em tom descontraído, a autorização concedida ao ex-presidente para receber atendimento de um cabeleireiro durante o período de prisão domiciliar humanitária.
A fala ocorreu na noite de terça-feira (19), durante o lançamento da pré-candidatura da dirigente do PL no Distrito Federal, Maria Amélia, evento que também contou com a presença da deputada federal Bia Kicis.
Em discurso marcado por ironias e referências religiosas, Michelle afirmou que “Deus transformou Saulo em Paulo” antes de mencionar Moraes. Na sequência, agradeceu pela autorização dada ao ex-presidente para cortar o cabelo, arrancando risos do público presente.
A declaração, porém, não foi bem recebida por parte do eleitorado conservador ligado ao bolsonarismo. Nas redes sociais, diversos apoiadores criticaram o tom adotado pela ex-primeira-dama em relação ao ministro do Supremo Tribunal Federal, considerado um dos principais adversários políticos do grupo bolsonarista.
Internautas chegaram a questionar uma suposta aproximação entre Michelle e Moraes, relembrando outro episódio recente envolvendo os dois. Na semana passada, durante a posse do ministro Nunes Marques na presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Michelle foi fotografada cumprimentando Moraes, gesto que também gerou críticas entre aliados mais radicais do ex-presidente.
Alexandre de Moraes é relator de investigações envolvendo Jair Bolsonaro no STF e tem sido alvo frequente de ataques por parte de apoiadores do ex-presidente, principalmente em razão dos inquéritos relacionados à tentativa de golpe de Estado e à disseminação de fake news.
Nos bastidores políticos de Brasília, aliados avaliam que Michelle tenta adotar uma postura mais moderada e institucional, em meio ao avanço dos processos judiciais envolvendo Bolsonaro e à articulação do PL para as eleições de 2026. Ainda assim, a repercussão negativa mostrou que parte da base bolsonarista segue resistente a qualquer sinal de aproximação com integrantes do Supremo.





