A morte de uma jovem de 19 anos e de seu padrasto, de 49 anos, encontrados carbonizados dentro de uma residência em Araguaína, no norte do Tocantins, segue envolta em dúvidas e levanta uma série de questionamentos para os investigadores.
As vítimas foram identificadas como Laiane Cardoso Noleto e Ivano Vaz Cunha. Os corpos foram localizados após um incêndio atingir o imóvel onde ambos estavam. Segundo relatos de testemunhas, uma forte explosão teria sido ouvida pouco antes de as chamas se espalharem pelo local.
De acordo com informações apuradas pelas autoridades, moradores ainda tentaram prestar socorro. Uma testemunha relatou que, com a ajuda de um vizinho, tentou arrombar a porta do cômodo onde as vítimas estavam, mas não conseguiu acessar o interior da residência antes que o fogo tomasse conta do ambiente.
Após o combate ao incêndio, equipes do Corpo de Bombeiros encontraram os corpos em diferentes pontos do quarto. Laiane estava sob um guarda-roupa, enquanto Ivano foi localizado sobre os destroços de uma cama consumida pelas chamas. Conforme informações registradas pela Polícia Militar, ambos estavam sem roupas na parte inferior do corpo.
Durante os trabalhos no imóvel, os policiais também recolheram um galão contendo vestígios de combustível, possivelmente gasolina. O material foi encaminhado para análise pericial e poderá auxiliar na identificação da origem do incêndio.
Investigação em andamento
O caso passou a ser investigado pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). A Secretaria da Segurança Pública informou que as apurações ainda estão em fase preliminar e, por enquanto, não existem elementos técnicos suficientes para confirmar qualquer hipótese sobre o ocorrido.
Os corpos foram encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML), onde passaram por exames de necropsia. Os laudos periciais deverão contribuir para esclarecer as circunstâncias das mortes e a dinâmica dos acontecimentos dentro da residência.
Histórico criminal aumenta repercussão do caso
A investigação ganhou ainda mais repercussão após a confirmação de que Ivano Vaz Cunha possuía condenação judicial por um homicídio ocorrido em 2009.
Conforme registros da Justiça, ele foi condenado a 35 anos de prisão pela morte de uma jovem que, segundo os autos do processo, era sua enteada. Na ocasião, a vítima também foi encontrada carbonizada, fato que chamou atenção devido à semelhança com o episódio registrado agora em Araguaína.
Após cumprir parte da pena, Ivano obteve progressão de regime e passou a cumprir determinações judiciais sob monitoramento eletrônico. Desde 2024, utilizava tornozeleira eletrônica e estava autorizado a exercer atividades profissionais externas.
Em nota, a Secretaria de Estado da Cidadania e Justiça (Seciju) informou que o monitoramento era realizado conforme decisão judicial e que todas as ocorrências registradas pelo sistema eletrônico eram comunicadas às autoridades competentes. A pasta destacou ainda que eventuais punições, regressões de regime ou retorno ao sistema prisional fechado dependem exclusivamente de determinação da Justiça.
Perícia pode ser decisiva
Enquanto familiares e moradores aguardam respostas, a expectativa está voltada para os resultados dos exames periciais realizados no imóvel e nos corpos das vítimas.
Os investigadores trabalham para esclarecer se o incêndio foi provocado de forma criminosa, se ocorreu por acidente ou se houve qualquer outra circunstância que possa explicar a tragédia. Até a conclusão dos laudos, o caso permanece cercado de mistério e continua sendo tratado como uma das ocorrências mais complexas registradas recentemente na região norte do Tocantins.





