A vacinação contra a dengue com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan foi suspensa temporariamente em todo o Brasil, incluindo o Tocantins, após o registro de eventos adversos graves que passaram a ser investigados pelo Ministério da Saúde, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e por especialistas em farmacovigilância.
A medida tem caráter preventivo e afeta diretamente a região de Araguaína, uma das áreas escolhidas pelo governo federal para participar da estratégia de vacinação em larga escala iniciada neste ano. A campanha vinha sendo aplicada em municípios do norte do Tocantins com o objetivo de avaliar o impacto da vacina na redução dos casos da doença.
Segundo o Ministério da Saúde, a decisão foi tomada após a identificação de 42 casos considerados raros, nos quais pacientes apresentaram sinais de alerta compatíveis com formas graves da dengue, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos. Entre os casos investigados, três foram classificados como graves e dois evoluíram para óbito. As autoridades, porém, reforçam que ainda não existe comprovação de que as mortes tenham sido causadas pela vacina.
Dados oficiais apontam que mais de 500 mil doses do imunizante foram aplicadas no país desde o início da estratégia de vacinação. Os 42 casos com sinais de alerta representam cerca de 0,008% do total de vacinados, índice considerado muito baixo, mas suficiente para motivar uma investigação aprofundada.
O Ministério da Saúde destacou que a suspensão não significa que a vacina perdeu sua eficácia ou foi considerada insegura. A medida segue protocolos internacionais de segurança adotados quando surgem eventos inesperados após a introdução de um novo imunizante na rede pública de saúde.
Enquanto as investigações prosseguem, as doses já distribuídas permanecerão armazenadas e a vacinação ficará interrompida até a conclusão das análises técnicas. Pessoas que receberam a vacina continuam sendo monitoradas pelas equipes de saúde, especialmente nos primeiros 21 dias após a aplicação.
O Instituto Butantan informou que está colaborando com as autoridades sanitárias e reafirmou a confiança nos resultados dos estudos realizados antes da aprovação do imunizante, que apontaram eficácia significativa na prevenção da dengue e de formas graves da doença.





