A morte de Mairu ocorreu em Brasília (DF) e, segundo a família, foi causada por um infarto. Ele era mestre em Direito pela UnB e estava na França, realizando doutorado em Paris. Conhecido pela trajetória de superação, ele chegou a limpar banheiros para pagar os estudos no ensino médio.
Mairu era considerado uma das lideranças jovens mais expressivas na defesa dos direitos dos povos tradicionais.
A nota da UFT ressalta que a passagem de Mairu pela universidade foi marcada pelo compromisso com a transformação social e pela luta por políticas de diversidade e saúde mental como pilares para a permanência de estudantes indígenas. Ele também atuou no Programa de Educação Tutorial – Conexões de Saberes Indígenas (PET Indígena) e no Fórum dos Estudantes Indígenas.
Mairu Hakuwi Kuady Karajá, era natural da Terra Indígena São Domingos – Krehawã — Foto: Reprodução/Redes sociais
Na pesquisa, Mairu realizou um mapeamento crítico e uma historiografia do direito indígena no Brasil, analisando o desafio da execução dos direitos originários frente ao Estado brasileiro e a organismos como a ONU e a OIT. O estudo também deu destaque ao protagonismo de lideranças como Raoni Metuktire e Ailton Krenak.
A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) também manifestou pesar, classificando Mairu como um “defensor da cultura de seu povo”. A fundação destacou o projeto Inỹribè – Fortalecimento e Revitalização da Cultura Inỹ, idealizado por ele para garantir a preservação da língua Karajá e a transmissão de saberes tradicionais para as novas gerações.
“Que o seu legado possa ser referência para a política indigenista e inspire as atuais e futuras gerações”, afirmou a Funai em nota.
A Embaixada da França no Brasil também se manifestou sobre a perda do pesquisador, que realizou parte de seu doutorado na Universidade Paris 8 Vincennes Saint-Denis. Em nota oficial, a representação diplomática destacou a participação ativa de Mairu em iniciativas acadêmicas e culturais na Europa, sempre voltadas à valorização das línguas e dos povos indígenas brasileiros.
“Homem generoso, curioso, dedicado ao diálogo intercultural e à transmissão de saberes”. A nota reforça que a atuação de Mairu inspirou parceiros tanto no Brasil quanto na França e faz um apelo para que “sua memória permaneça viva por meio de seu legado em favor da justiça, da diversidade cultural e da valorização das línguas e dos conhecimentos indígenas”.
Sonho com o protagonismo jovem
“Eu sonho com um dia em que os jovens das nossas comunidades alcançarão os objetivos. A cultura é adaptável e não um museu cultural como a maioria imagina, não estamos presos no passado dos livros e da história. O tempo muda e os objetivos também”, declarou na época. Além do doutorado na França, Mairu atuava como diretor geral de operações da empresa Biofix Brasil e era membro do Observatório dos Direitos e Políticas Indigenistas (OBIND/UnB).
João Paulo Hakuwi Kuady (c) ao lado da família — Foto: Arquivo Pessoal





