Senegal fez história, em 2002, quando chegou nas quartas de final da Copa do Mundo e se tornou uma das sensações daquela edição do torneio. Era a primeira Copa disputada pelos senegalenses. E a incrível jornada dos Leões de Teranga naquele Mundial começou justamente com uma vitória por 1 a 0 contra a toda-poderosa França, então campeã da Copa anterior, de 1998. Pape Thiaw era jogador daquela equipe senegalesa. Nesta terça-feira (16), às 16h, ele reencontra os franceses em mais uma estreia das duas seleções no torneio, desta vez à beira do campo, como técnico do Senegal.
Ferdinand Coly (do Senegal, em pé) e Thierry Henry (da França, deitado), após a derrota dos europeus para os africanos por 1 a 0 na Copa do Mundo de 2002 — Foto: Roberto Schmidt / AFP Assistência decisiva
Thiaw foi decisivo naquela campanha. Centroavante reserva do Senegal de 2002, foi dele a assistência para o gol que classificou o país às quartas de final. Em 16 de junho daquele ano, num jogo duro contra a Suécia que estava empatado em 1 a 1, a partida foi para a prorrogação, disputada sob a regra do gol de ouro. Aos 14 minutos do primeiro tempo extra, Pape Thiaw recebeu pela direita e cruzou rasteiro para Henri Camara finalizar de primeira. Foi o gol que colocou o Senegal entre os oito melhores do mundo.
Pape Thiaw encerraria sua carreira como jogador na seleção no ano seguinte. Depois de 20 anos, ele voltou como técnico. Foi assistente de Aliou Cissé, antes de sucedê-lo no cargo em dezembro de 2024. Com Thiaw no comando, os senegaleses engataram uma sequência de 26 jogos sem perder, empatando apenas dois.
Momento do gol de Henri Camara na Suécia, na prorrogação, após assistência de Thiaw — Foto: DAMIEN MEYER / AFP Multado após polêmica
O Senegal terminou as eliminatórias invicto, com sete vitórias e três empates. Em janeiro de 2026, Pape Thiaw se envolveu numa polêmica durante a Copa Africana de Nações. Na final contra o Marrocos, ele orientou seus jogadores a deixarem o gramado em protesto após a marcação de um pênalti para os marroquinos nos acréscimos da partida. Mas a seleção de Marrocos não converteu o pênalti — cobrado numa cavadinha sem sucesso de Brahim Díaz —, e o Senegal conquistou o bicampeonato ao vencer por 1 a 0, com gol de Papa Gueye, na prorrogação.
Ainda assim, o episódio levou à abertura de um processo disciplinar pela Confederação Africana de Futebol (CAF), que puniu o treinador com com suspensão de cinco partidas e multa de US$ 100 mil, alegando “conduta antidesportiva” e atitudes que teriam “desacreditado o jogo”.
Fora da seleção, Thiaw jogou em clubes como o Saint-Étienne, da França, o Dínamo de Moscou, da Rússia, e o Deportivo Alavés, da Espanha.
Jogadores de Senegal celebram a conquista da Copa Africana de Nações — Foto: FRANCK FIFE / AFP





