Um estudo realizado pela Kids Research Institute Australia sugere que uma intervenção dietética simples durante a gravidez pode ajudar a proteger contra o risco aumentado de alergias alimentares associados aos antibióticos tomados antes do nascimento.
Entre as mães gestantes que receberam antibióticos durante o trabalho de parto, aquelas que fizeram suplementação com um prebiótico durante a gravidez não apresentaram risco aumentado de seus bebês desenvolverem alergia alimentar.
Entretanto, crianças cujas mães receberam antibióticos, mas não tomaram prebióticos, apresentaram uma probabilidade cinco vezes maior de desenvolver alergia alimentar após o nascimento.
Os resultados foram publicados na revista Allergy. A autora principal e assistente de pesquisa do Instituto de Pesquisa Infantil da Austrália, Summer Walker, afirmou que cerca de 1 em cada 4 mães australianas recebeu tratamento com antibióticos durante a gravidez, e até metade dos bebês receberam antibióticos no primeiro ano de vida.
“Tem havido uma crescente preocupação com a possível ligação entre antibióticos e alergias alimentares, visto que o uso de antibióticos pela mãe durante a gravidez demonstrou estar associado a um maior risco de eczema e alergias alimentares em crianças”, disse a pesquisadora.
Os prebióticos promovem o crescimento de bactérias intestinais saudáveis, enquanto os antibióticos perturbam o microbioma intestinal , reduzindo a sua diversidade e podendo levar a um desequilíbrio.
“Durante a gravidez, isso pode resultar em efeitos a longo prazo na saúde da criança”, afirma Walker.
A pesquisadora diz ainda que sabe a importância dos antibióticos durante o trabalho de parto e como eles são essenciais em salvar vidas, e não pede que as gestantes parem de tomar o medicamento, mas sugere que pode haver uma maneira simples de reduzir alergias alimentares nas crianças através do consumo de prebióticos pelas mães durante a gravidez.
Para o estudo, os pesquisadores acompanharam 652 gestantes e seus bebês desde o meio da gravidez até 1 ano de idade. As mulheres consumiram um suplemento prebiótico ou um placebo desde o meio da gravidez até o bebê completar 6 meses de idade.
Todos os bebês tinham histórico familiar de doença alérgica, e mais de 80% das mães e 20% dos bebês receberam antibióticos durante o período de intervenção do estudo.
“Os níveis de antibióticos atingem o pico no cordão umbilical em 30 minutos e permanecem bactericidas por várias horas, independentemente da duração do trabalho de parto. Consequentemente, os antibióticos administrados durante o trabalho de parto podem ter um impacto maior no microbioma do bebê devido à exposição fetal mais prolongada”, disse Walker.
A pesquisadora diz que a pesquisa abre caminhos para explorar se os prebióticos também podem ajudar a proteger contra outras condições de saúde infantil relacionadas a antibióticos, mas diz que o melhor, por enquanto, é as mulheres seguirem as recomendações dietéticas existentes e conversar com seu profissional de saúde antes de começar a tomar suplementos.
“A boa notícia é que muitas dietas saudáveis, como a dieta mediterrânea, são ricas em alimentos que contêm prebióticos, como alho, alho-poró, cebola, aspargos e leguminosas”, diz.





