A Guarda Civil da Espanha recuperou os corpos de 19 migrantes que morreram ao tentar chegar a Ceuta a nado. Com as novas vítimas, subiu para 49 o número de pessoas encontradas sem vida nas águas próximas ao enclave espanhol desde o início do ano.
Estimativas preliminares indicam que mais de 40 mil migrantes entraram irregularmente na cidade nos últimos dias, principalmente na quinta-feira. O volume é quatro vezes superior ao registrado na crise migratória de maio de 2021, quando cerca de 10 mil pessoas atravessaram os controles da fronteira.
A entrada em massa provocou um aumento de quase 50% na população de Ceuta. Centenas de jovens passaram a noite em parques e jardins públicos, muitos deles apenas com as roupas usadas durante a travessia.
O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, deve visitar a cidade acompanhado do ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska.
Ceuta e Melilla, localizadas no Norte da África, são as únicas fronteiras terrestres da União Europeia no continente africano. Em Melilla, a passagem de Beni Enzar, única ligação operacional com o Marrocos, permanece fechada. As autoridades pediram que a população evite a região para não atrapalhar o trabalho das forças de segurança.
Na fronteira de El Tarajal, em Ceuta, o movimento ocorre nos dois sentidos. Centenas de migrantes começaram a retornar ao território marroquino pelo mesmo ponto utilizado para entrar na cidade, enquanto pequenos grupos continuavam tentando chegar ao lado espanhol.
Também houve tentativas de romper a cerca fronteiriça e lançamento de pedras contra os agentes mobilizados. Na cidade marroquina de Fnideq, centenas de pessoas entraram em confronto com as forças de segurança durante novas tentativas de atravessar a fronteira.
A crise também deixou cerca de 500 veículos retidos no lado espanhol. Os carros pertencem a marroquinos que vivem na Europa e viajavam ao país para passar as férias de verão.





