No estilo Big Brother do Cerrado, um projeto tocantinense espalhou bebedouros de água, comedouro e câmeras com visão noturna para ajudar a refrescar e, ao mesmo tempo, entender animais do cerrado. A iniciativa auxilia equipes de pesquisadores a entender os hábitos de espécies silvestres.
“É um buraco no chão que a gente cimenta, com uma profundidade de, mais ou menos, 50 a 60 centímetros e uma extensão de um metro e meio. Ele tem uma capacidade de 200 litros, e na frente do bebedouro também colocamos um comedouro para atrair pássaros. E a câmera trap para registrar a ação”, explica o engenheiro florestal, Guilherme Henrique.
🔎 A câmera trap, conhecida também como armadilha fotográfica, é uma câmera automática ativada por movimento ou calor para registrar a vida selvagem ou monitorar áreas externas sem a presença humana.
O veado-mateiro é uma das espécies bastante registradas em Cariri, além de onças, lobo-guará e diversas aves. A água fornecida aos bebedouros artificiais vem de pequenas represas da região, uma delas fica localizada a 5 quilômetros das instalações.
O transporte da água é feito uma vez na semana, mas, dependendo do consumo feito pelos bichos, pode ser preciso abastecer com maior frequência.
Veado-mateiro e onça-pintada registradas em câmera trap — Foto: Reprodução/TV Anhanguera
“A onça-pintada aparece mais no horário da madrugada, ou final da tarde. É um animal que tem hábito de caçar à noite. O gavião carcará tem o hábito de vir no final da tarde. Temos também imagens de corujas que vêm por volta de duas da madrugada. Tudo isso a gente anota, até mesmo para estabelecer qual o movimento da fauna dentro do nosso plantio”, conta o engenheiro.
Colocadas em pontos estratégicos dentro da área de reflorestamento, equipes plantam mudas de árvores típicas do cerrado – embaúba e pau-jau – no entorno dos bebedouros. Dessa forma, a movimentação dos animais leva a água a se espalhar para fora dos bebedouros, regando as plantações.
Já o fornecimento de frutas auxilia no reflorestamento. O animal se alimenta, bebe água e elimina as sementes pelo caminho. “Depois de todo o trajeto que percorre no intestino, quando ele defeca [a semente] está apta para germinação”, relata o biólogo e professor, Danival José de Souza.
O Juvenal Costa enfrenta o calor e o tempo seco para garantir que os bebedouros permaneçam limpos para o maior conforto dos bichos. “Se para a gente já é muito difícil, imagina para os animais. Me sinto muito feliz, é muito gratificante”.
Câmeras intaladas entre bebedouros e comedouros permite observar animais — Foto: Reprodução/TV Anhanguera
Projeto
“Ele é um projeto piloto em que, inicialmente, estamos avaliando a presença da fauna dentro de nossos plantios compensatórios”, explica o representante da empresa, Luthero Lerner.
Os recipientes foram instalados em abril de 2026. Segundo a operadora, as câmeras foram posicionadas para que especialistas possam mapear a frequência de visitação, a diversidade de espécies e os padrões comportamentais dos animais ao longo do tempo.





