Um pelo encravado aparentemente inofensivo terminou em uma cirurgia de emergência e diagnóstico de sepse para a britânica Christy Collins, de 28 anos. A criadora de conteúdo, que vive em Bournemouth, na Inglaterra, percebeu um pequeno caroço na virilha depois de passar um dia em Londres e decidiu espremê-lo. Nos dias seguintes, a lesão cresceu rapidamente e a saúde dela começou a se deteriorar.
O caso aconteceu em agosto. Segundo Christy, o caroço inicialmente tinha aproximadamente o tamanho de uma bola de chiclete. Depois que ela o apertou, porém, a região ficou progressivamente mais dolorida, avermelhada e endurecida.
Em poucos dias, o inchaço já se estendia da linha do biquíni em direção à nádega. Christy comparou o tamanho da área afetada ao de um iPhone 16 Pro Max.
O episódio chama atenção para uma complicação incomum, mas possível, de infecções de pele. O serviço público de saúde britânico, o NHS, alerta que pelos encravados podem infeccionar e não devem ser espremidos, já que a manipulação pode lesionar a pele e facilitar ou agravar uma infecção.
[Legenda]© Reprodução- Instagram
Ela começou a sentir tontura e chegou a desmaiar
A piora não ficou restrita à lesão. Christy relatou que começou a ter dificuldade para caminhar devido à dor e passou a se sentir fraca e tonta.
Em uma ocasião, enquanto estava em um pub, sua visão ficou embaçada, seguida de alteração da audição, e ela perdeu a consciência por alguns instantes. Mesmo assim, inicialmente não associou os sintomas a uma emergência médica.
No dia seguinte, com a dor aumentando e a região cada vez mais quente, ela ligou para o NHS 111, serviço britânico de orientação médica. A recomendação foi procurar um pronto-socorro, mas Christy decidiu aguardar até a manhã seguinte para conversar virtualmente com seu médico.
Após a consulta, começou a tomar antibióticos. O quadro, no entanto, continuou piorando. Ao fim do dia, ela já tinha dificuldade até para ficar em pé.
Foi então que uma amiga insistiu para que ela fosse ao hospital.
“Minha amiga salvou minha vida”, contou Christy ao jornal britânico The Sun.
Médicos identificaram sepse
No hospital, exames mostraram que a infecção havia se tornado grave. Christy recebeu o diagnóstico de sepse e foi encaminhada para cirurgia de emergência.
Segundo seu relato, médicos disseram que os marcadores de infecção estavam muito alterados e que a pressão arterial também apresentava alterações importantes. A equipe advertiu que adiar ainda mais o atendimento poderia colocar sua vida em risco.
A sepse ocorre quando a resposta do organismo a uma infecção desencadeia uma reação sistêmica capaz de comprometer tecidos e órgãos. O Centers for Disease Control and Prevention (CDC) classifica a condição como uma emergência médica com risco de morte e ressalta que infecções originadas na pele estão entre as que podem evoluir para o quadro.
Sem tratamento rápido, a sepse pode provocar lesão de tecidos, falência de órgãos e morte. Dependendo da origem da infecção, além de antibióticos e suporte clínico, pode ser necessária cirurgia para retirar tecido infectado ou danificado.
Cirurgia deixou ferida profunda
Christy foi submetida a uma operação de aproximadamente uma hora para a retirada do tecido infectado.
Após o procedimento, ficou com uma ferida de cerca de 5 centímetros de profundidade e 12 centímetros de largura, mantida aberta para cicatrizar progressivamente de dentro para fora. Ela permaneceu internada durante cinco dias.
A jovem descreveu o pós-operatório como doloroso e contou ter precisado de medicamentos fortes contra a dor.
Depois da alta, continuou tomando antibióticos e passou a comparecer diariamente ao consultório médico para trocar os curativos. Durante a recuperação, precisou da ajuda da mãe até para atividades básicas, como tomar banho e ir ao banheiro.
Como um pelo encravado pode infeccionar?
O pelo encravado acontece quando um fio cresce de volta para dentro da pele, formando normalmente uma pequena elevação que pode coçar ou inflamar.
Ele é mais frequente em regiões submetidas à depilação ou ao uso de lâminas, como rosto, pernas, axilas e área pubiana. Em alguns casos, a lesão pode desenvolver pus e ficar dolorida quando ocorre infecção.
Bactérias vivem naturalmente sobre a pele sem causar problemas. Entretanto, quando conseguem atravessar a barreira cutânea por uma pequena lesão ou por um folículo piloso, podem provocar uma infecção e até a formação de um abscesso, uma coleção de pus que às vezes precisa ser drenada cirurgicamente.
Por isso, apertar, furar ou tentar retirar à força um pelo encravado não é recomendado.
Quando um pelo encravado deixa de ser algo simples?
Na maioria dos casos, pelos encravados melhoram sem atendimento médico. Há, porém, sinais que merecem atenção.
O NHS orienta procurar avaliação médica quando a região estiver muito dolorida, quente ou inchada, principalmente se houver febre, calafrios ou sensação de estar muito doente. Vermelhidão ou inchaço que começam a se espalhar ao redor de um caroço também são sinais de alerta para uma possível infecção.
Já diante de uma infecção acompanhada de sintomas sistêmicos, é importante considerar a possibilidade de sepse. Entre os sinais descritos pelo CDC estão:
confusão ou desorientação;
dor ou desconforto intensos;
febre, calafrios ou sensação de muito frio;
pele úmida ou suada;
frequência cardíaca elevada ou pulso fraco;
falta de ar.
A presença desses sintomas não significa, por si só, que uma pessoa esteja com sepse. Mas uma infecção que está piorando rapidamente, acompanhada de deterioração do estado geral, exige atendimento médico imediato.
É preciso parar de depilar a virilha?
Depois da experiência, Christy passou a alertar seguidores sobre os riscos de ignorar pelos encravados e afirmou que pretende ter muito mais cuidado com a depilação da região íntima.
O caso, porém, não significa que toda depilação com lâmina levará a uma infecção grave. A evolução para sepse é uma complicação excepcional, enquanto irritações, pequenos cortes e pelos encravados são problemas muito mais comuns.
O NHS afirma que não raspar os pelos é a maneira mais eficaz de evitar pelos encravados, mas oferece cuidados para quem prefere continuar usando lâmina: molhar a pele com água morna, utilizar gel de barbear, passar a lâmina no sentido de crescimento dos fios, evitar muitas passadas sobre o mesmo local e não raspar rente demais à pele. Também recomenda não usar lâminas sem corte.
O principal alerta do caso de Christy está menos na depilação em si e mais na evolução da lesão: um pequeno pelo encravado que aumenta rapidamente, torna-se muito doloroso, quente ou inchado e vem acompanhado de fraqueza, tontura, febre ou mal-estar não deve ser tratado como um problema puramente estético.
No caso da britânica, procurar o hospital acabou sendo decisivo. A experiência que começou com um caroço aparentemente banal terminou com cinco dias de internação, uma cirurgia e um longo processo de cicatrização.
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Notícias ao Minuto | 06:19 – 15/09/2026





